Mais de 150 pessoas confirmaram presença em um protesto marcado pelo Facebook, porém menos de vinte realmente compareceram à praça Rui Barbosa, no Centro de Curitiba, no final da tarde de ontem.

O protesto era pela desmilitarização da Polícia Militar e teria sido planejado por usuários da tática Black Bloc, utilizada por manifestantes em todo o mundo. Geralmente são jovens mascarados, vestidos de preto, equipados para se defender ou atacar.

O evento estava marcado para as 18h. Vinte minutos antes, equipes do 12º Batalhão de Polícia Militar fizeram a primeira abordagem a um grupo de seis rapazes. Um adolescente que estava sem documentos foi levado até o 1º Distrito Policial para ser identificado. Na mochila dele foram encontrados estilingues, bolas de gude, pedras e tinta spray que, segundo a polícia, provavelmente seriam utilizados durante a manifestação. Os instrumentos foram apreendidos.

Quando a maioria das viaturas se afastou, minutos depois, os rapazes se juntaram a outros manifestantes e se preparavam para erguer a primeira faixa quando uma equipe das Rondas Ostensivas Tático Móvel chegou para fazer mais uma abordagem. Nada foi encontrado com os jovens. Na faixa estavam os dizeres: “Lutando contra o poder abusivo do Estado. ‘Quando a injustiça se torna lei, a resistência torna-se dever’”.

Alguns manifestantes foram embora, outros chegaram, e uma nova abordagem foi feita as 19h30. Com dois jovens foram apreendidas bombas conhecidas como “cabeça de nego”, estilingues, outros pequenos artefatos explosivos e barras duras, que podem ser utilizadas como “porretes”. Também foi apreendida uma garrafa com vinagre, que os manifestantes utilizam para minimizar os efeitos do gás lacrimogênio, costumeiramente lançado pela polícia nas manifestações mais violentas. Os dois estavam sem documentos e também foram levados ao 1º Distrito, apenas para serem identificados.

Pelo menos cinqüenta pessoas já haviam sido abordadas pela Polícia Militar nas praças da região Central de Curitiba entre as 16h e as 18h. De acordo com o tenente Cantador, o policiamento reforçado na região central neste mês é uma atividade padrão pelo aniversário da corporação.

Os manifestantes abordados foram fotografados e identificados, e caso apareçam em imagens das câmeras da prefeitura cometendo algum crime como depredação ou saques em manifestações futuras, serão localizados mais facilmente. Um deles, que não quis ser identificado, reclamou das abordagens. Ele disse que foi ameaçado pelos policiais.

“Eles disseram que assim que as câmeras da imprensa fossem desligadas na praça, eles iriam me pegar no Centro. Acho que falaram isso para que eu respondesse e fosse preso por desacato”, afirma. O rapaz disse que os manifestantes compreendem as dificuldades que os policiais passam no quartel, e que fazem o protesto por eles, para que a polícia seja mais cidadã.

Veja na galeria de fotos o protesto.