Em greve desde o início desta segunda-feira (9), professores da rede estadual de ensino se reúnem em frente à Assembleia Legislativa do Paraná, no bairro Centro Cívico, em Curitiba, para protestar contra um “pacotaço” a ser votado por deputados estaduais e que corta benefícios concedidos ao funcionalismo público do estado. Segundo o sindicato da categoria – APP-Sindicato – a expectativa era de que, por volta das 11h30, já houvesse cerca de cinco mil participantes no protesto.

Por volta das 9 horas da manhã, o portão foi fechado para impedir a entrada dos grevistas na casa. Segundo a APP-Sindicato, cerca de 100 já haviam entrado quando o acesso passou a ser impedido. No entanto, destes apenas 30 conseguiram chegar ao plenário.

Segundo a entidade, por volta das 11 horas, o presidente da APP-Sindicato, Hermes Silva Leão, estava reunido com o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Ademar Traiano (PSDB) e com o deputado Professor Lemos (PT). A intenção era negociar a entrada dos manifestantes para acompanhar os trabalhos da casa desta segunda-feira. Uma audiência pública sobre a previdência estava marcada para as 9h30 e, às 14 horas, começa a sessão que deve dar início ao trâmite do “pacotaço”.

A professora Walkiria Mazeto, secretária educacional da APP-Sindicato, conta que várias delegações estão vindo do interior do estado para participar do ato. Os professores estão na Praça Nossa Senhora de Salete desde as 7 horas, abrigados em tendas montadas pela categoria. Os professores vindos do interior se organizam para montar barracas no local, informou a secretaria de Finanças da entidade, Marley Fernandes. Mas, isso só deve ocorrer no fim da tarde e sem que isso seja um acampamento “oficial” do sindicato, ressaltou a entidade, via assessoria.

Representantes de outros sindicatos subiram ao carro de som para dar apoio ao ato. (Foto: Colaboração/Gazeta do Povo)

Gritos de ordem e apoio da população

A todo momento, a multidão de professores grita palavras de ordem. “Beto caloteiro” era uma das favoritas. Do alto de um carro de som, um professor perguntava “quem quebrou o Paraná?” e a resposta vinha em coro: “Richa!”. Outro bordão era “deputado amigo da educação, vota contra o pacotão”.

Com o impedimento da entrada dos professores, os gritos de cima do caminhão passaram a ser “se educadores e educadoras não puderem entrar na assembleia, ninguém mais entra”. A categoria prometeu realizar a audiência pública sobre previdência na praça, caso a entrada não seja liberada.

A cada interrupção de tráfego feita por manifestantes nas imediações, os professores recebiam acenos de apoio de usuários de ônibus que passavam pelo local.

No meio da manhã, o protesto ganhou apoio também de alunos do Colégio Estadual do Paraná (CEP) e de integrantes do Sindicato Dos Agentes Penitenciários do Paraná (Sindarspen), outra categoria que pode entrar em greve devido às propostas do governo estadual.

No ato, a APP-Sindicato esta distribuindo um folheto em formato de “carta aberta” à comunidade escolar. Eles pedem a união das famílias para ajudar a enfrentar “as dificuldades que estão sendo criadas pelo governador Beto Richa”.

O folheto cita a dívida das escolas com fornecedores pela falta de repasse do fundo rotativo, diminuição drástica de funcionários, diminuição ou fechamento de turmas, diminuição do numero de professores e não contratação dr novos profissionais, fechamento de atividades complementares e contraturno, ameaça de fechamento de programas como Leite das Crianças e fornecimento de merenda, fim de pro,gramas de formação de professores e do plano de carreira da categoria e as dividas com pagamento de rescisões contratuais, terço de férias e atrasos e cortes de salários.

A todo momento, a multidão de professores grita palavras de ordem. (Foto: Colaboração/Gazeta do Povo)

Apoio de outras categorias

A manifestação dos professores em frente à Assembleia recebeu uma série de “participações especiais” ao longo da manhã. Representantes de outros sindicatos subiram ao carro de som para dar apoio ao ato.

No protesto de hoje, servidores da saúde municipal (Sismuc), do poder Judiciário estadual (Sindijus) e dos engenheiros (Senge) manifestaram solidariedade à causa dos docentes.

Representantes de outras categorias do funcionalismo estadual também devem juntar-se à manifestação organizada pela APP-Sindicato a partir de terça-feira (10), segundo informou Marley Fernandes, secretária de Finanças do sindicato dos professores, em discurso feito do alto do carro de som. “Hoje é só preparação, porque amanhã vai ser maior”, disse.

A perspectiva é de que professores universitários estaduais, agentes penitenciários e servidores estaduais da saúde engrossem o coro contra o “pacotaço” de medidas de austeridade que devem cortar benefícios do funcionalismo público do estado.

No meio da manhã, o protesto ganhou apoio também de alunos do Colégio Estadual do Paraná. (Foto: Colaboração/Gazeta do Povo)

Veja quais medidas o governo quer aprovar no “pacotão de maldades”.

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