Boca Maldita

Protesto contra tarifa do transporte reúne 500 pessoas no Centro

A noite de ontem foi marcada por um só grito contra o aumento da passagem de transporte público em Curitiba. Cerca de 500 pessoas, entre manifestantes e curiosos, saíram por várias ruas da região central para pedir que o preço da tarifa seja congelado em R$ 2,85 e não suba, como já está previsto. Eles também pediram pelo passe livre.

A mobilização começou por volta das 18h, na Boca Maldita, com os gritos que diziam “vem pra rua contra o aumento”. Aos poucos os manifestantes se uniram e, perto das 19h, seguiram em passeata fechando principais vias do centro de Curitiba, como as ruas Desembargador Westphalen e André de Barros e as avenidas Marechal Floriano Peixoto, Visconde de Guarapuava e Silva Jardim.

“Já estamos na luta desde 2005 pedindo para que a tarifa não aumente. Sabemos que o valor técnico é de R$ 2,25 e não podemos aceitar que brinquem assim com a população. Além disso, sabemos que também teríamos condições de ter acesso ao transporte gratuito”, disse um dos organizadores, do Movimento Passe Livre, que pediu para não ser identificado.

Com um boneco do prefeito Gustavo Fruet e uma reprodução de uma catraca de ônibus, os manifestantes seguiram até a frente do terminal urbano do Guadalupe, onde queimaram a reprodução do prefeito. “Também aconselhamos a que a cada três ônibus que você pegue, pague apenas duas passagens e a terceira entre sem pagar”, dizia um dos organizadores.

Manifestante foi barrado de continuar no protesto por causa deste cartaz.

Os organizadores do protesto afirmaram que existem quatro relatórios que alegam que exista superfaturamento no preço da passagem do transporte público. “Além disso, sabemos e temos provas de que exista a formação de cartel. Isso não pode acontecer de forma alguma e somos nós que vamos fazer acabar”, disse uma das manifestantes.

Em frente à rodoferroviária de Curitiba, onde funciona o prédio da Urbanização de Curitiba (Urbs), os manifestantes ficaram parados e fecharam o trânsito na Avenida Presidente Afonso Camargo, por cerca de 30 minutos. Eles não entraram na rodoferroviária e queimaram, na rua, a réplica da catraca de ônibus.

O protesto, que terminou por volta das 21h30, foi acompanhado por agentes da Secretaria Municipal de Trânsito, que orientaram os motoristas, e por Guardas Municipais e policiais militares.

Baderna

Em alguns momentos da manifestação, jovens mascarados ameaçaram partir para agressão. Eles se aproximaram, com tacos de madeira, máscaras escuras e de pano e mostravam que estavam dispostos a tudo, mas foram contidos pelos organizadores. O que não foi impedido foi o uso de drogas. Muitos adolescentes, com menos de 17 anos, usavam maconha e consumiam bebida alcoólica enquanto o protesto era feito.

Um jovem de 19 anos foi impedido de fazer parte do protesto, porque estava com um cartaz que, ao ser avaliado pelos organizadores, foi visto como agressivo demais. O texto do cartaz dizia: “Polícia Militar, se black bock aparecer, desce a porrada”. O rapaz foi retirado do grupo e desabafou criticando a atitude dos organizadores. “Por que me tiraram? Querem que os black bock quebrem toda a cidade? Então não estão lutando pelos ideais da população e sim deles próprios”, disse. O jovem acompanhou a manifestação de longe.

Data marcada

Os organizadores fizeram diversas assembleias com os manifestantes, enquanto paravam o trânsito nas principais ruas. Nesta terça-feira (3), eles pretendem se reunir novamente, em frente ao prédio da Universidade Federal do Paraná (UFPR), no Centro. Eles devem definir como será o novo protesto, marcado para quinta-feira, (5).

Foto: Lineu Filho.

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