Soluções justas de moradia digna. Era isso o que reivindicavam moradores da ocupação Vila União, em Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), em protesto realizado ontem de manhã, em frente à sede da Prefeitura. No local, cerca de quarenta manifestantes representavam os interesses de quinhentas famílias que vivem na vila (aproximadamente 2,5 mil pessoas) e estão ameaçadas de despejo.
A vila foi transformada em bairro por 85 famílias que começaram a ocupar o local no ano de 1995. Hoje, segundo a integrante do Movimento Nacional de Luta pela Moradia, Hilma de Lourdes Santos, é composta por 69 mil metros quadrados de área. Porém, no último dia 31 de janeiro, a Justiça determinou a reintegração de posse do local ao real proprietário e a saída das famílias. ?As famílias que vivem na vila investiram no lugar, que hoje possui luz e água tratada, e não podem ser simplesmente despejadas. São pessoas carentes, que estão instaladas na vila há mais de dez anos e não têm para onde ir. Queremos que o poder público interfira para que o despejo não aconteça, pois vai ser uma catástrofe?, disse Hilma.
A empregada doméstica Maria Aparecida Fagundes é uma das moradoras mais antigas da vila. Ela se instalou com a família no local há onze anos e atualmente vive com o marido e dois filhos adolescentes. Maria se diz apavorada com a possibilidade de ser despejada. ?Saio de manhã e tenho medo de chegar no final da tarde e não encontrar mais minha casa. Não tenho como ir para outro lugar, pois meu marido está desempregado e eu só estou trabalhando como doméstica?, afirmou.
Já o garçom Alisson Grein da Fonseca contou que, há sete anos, pagou R$ 5 mil pelo terreno onde vive na vila e gastou cerca de R$ 13 mil para construir a casa onde mora com a esposa e os dois filhos pequenos. ?Minha casa é toda de material e murada. Batalhei muito para construí-la e não posso perdê-la. Minha vontade e a de outros moradores é de que a Prefeitura compre a área onde se encontra a vila e depois combine de repassá-la para nós?, disse.
Sem condições
O prefeito de Almirante Tamandaré, Vilson Goinski, informou estar à disposição dos moradores da vila, mas declarou que o município não tem condições financeiras para resolver sozinho o problema. ?Há uma decisão judicial e o município não tem como desapropriar a área. Vou conversar com os moradores e tentar discutir o assunto com representantes dos governos estadual e federal, para que eles nos ajudem a viabilizar um projeto habitacional?, explicou. A reportagem de O Estado não conseguiu localizar o proprietário da área e autor do pedido de reintegração de posse.


