Um projeto de lei apresentado esta semana na Assembléia Legislativa do Paraná institui a merenda escolar orgânica nas 2.170 escolas estaduais. Pelo projeto, a utilização dos produtos sem agrotóxicos seria feita de forma gradativa, para que no futuro todos os produtos ofertados na alimentação dos estudantes sejam exclusivamente orgânicos. Para entrar em vigor, o projeto precisa ser aprovado pelos deputados e sancionado pelo governador Roberto Requião.

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Um dos autores do projeto, o deputado Luiz Eduardo Cheida, diz que a iniciativa visa à preservação da saúde dos alunos, bem como, a necessidade de prevenir doenças decorrentes da presença de agrotóxicos nos alimentos. Cheida afirma que, pelo projeto, a Secretaria de Estado da Educação ficaria livre para definir as formas de aquisição e distribuição desses alimentos.

“O projeto também irá beneficiar os produtores rurais”, enfatiza, acrescentando que nos últimos dez anos o número de produtores no Paraná saltou de 400 para mais de 5 mil.

O diretor da Associação para o Desenvolvimento da Agroecologia (Aopa), José Antonio Marfil, afirma que o projeto agrada os produtores, que teriam um excelente canal de escoamento. No entanto, para que seja efetivo, será necessário simplificar as formas de aquisição.

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“Se esbarrarmos na burocracia das licitações, fica inviável para o produtor”, comenta. Sobre a produção, Marfil ressalva que ela só será suficiente para atender a demanda se houver investimentos em assistência técnica e logística, e a venda ocorrer de forma direta.

A coordenadora do Programa Estadual de Alimentação Escolar, Márcia Stolarski, apóia a iniciativa e diz que hoje o Estado incentiva as escolas a adquirirem produtos orgânicos através do projeto Escola Cidadã. Segundo ela, a grande reclamação das escolas é o custo do produto, que acaba não estimulando a compra.

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Algumas experiências de merenda orgânica já foram implantadas no Paraná. Em Palmeira, a 70 quilômetros de Curitiba, a prefeitura implantou o projeto em 1996, que não teve continuidade, pois, segundo o diretor do Departamento de Educação do município, Rogério Schnell, faltou organização dos produtores. Ele garante que a partir do ano que vem a idéia será retomada, mas em outro modelo.