Foto: Aliocha Maurício/O Estado

Comemoração da data seria no segundo domingo de dezembro.

Manassés Oliveira: ?A Bíblia é uma só, é universal?.

O projeto que pretende instituir o dia da Bíblia em Curitiba está causando polêmica na Câmara Municipal. De autoria do vereador Manassés Oliveira (PPS), o projeto pretende instituir a comemoração no segundo domingo de dezembro, mas encontra resistência da bancada católica da casa – que alega que o mês de setembro já é dedicado ao livro sagrado. Apesar de aprovado anteontem em primeira votação, com quórum mínimo de vinte vereadores, a segunda plenária, marcada para ontem, não aconteceu. Apenas quatro vereadores compareceram para a votação, obrigando o cancelamento da sessão.

O vereador Manassés Oliveira defende que seu projeto não tem vínculo religioso algum, e que é destinado ao interesse da população. ?A Bíblia é uma só, é universal. Foi manobra de quem não tem compromisso com o povo de Curitiba?, disse, referindo-se ao não-comparecimento dos vereadores para a segunda votação. Ele explica que o mesmo projeto já foi aprovado pelo Congresso Nacional para instituir a data comemorativa em todo o País – através da Lei n.º 10.335 de 19 de dezembro de 2001, sancionada por Fernando Henrique Cardoso, presidente na época – e também na Assembléia Legislativa do Estado.

?O que pretendia era que comemorássemos juntos, em níveis nacional, estadual e municipal. Mas o que houve foi um complô por parte de alguns vereadores ligados à igreja católica que acharam que apenas um vereador estava capitalizando o processo?, criticou. Segundo Manassés, o dia da Bíblia no segundo domingo de dezembro já é comemorado em mais de 60 países desde 1549.

Já os vereadores que são contra o projeto alegam que, de acordo com a igreja católica, o dia da Bíblia é comemorado em 30 de setembro – tal como o mês é dedicado à reflexão e disseminação das sagradas escrituras. ?Gostaríamos que a igreja católica pudesse se manifestar. Na primeira votação, não havia representante da igreja?, defendeu o vereador Tito Zeglin (PDT), que é contra a aprovação do projeto.

?Já existe um dia (da Bíblia). Criar mais um pela vontade de alguns vereadores é uma incoerência.? Para ele, o não-comparecimento dos vereadores para a segunda votação foi ?casual?, e não um boicote. ?Nosso objetivo era resolver isso hoje?, afirmou. A informação que corria na Câmara era que a maior parte dos vereadores estaria em seus gabinetes – assim como Tito Zeglin, que alegou ter sabido da convocação depois do horário marcado. Assim como Zeglin, os vereadores Nely Almeida (PSDB), Paulo Frote (PSDB), Celso Torquato (PMDB) e Reinhold Stephanes (PMDB) também estariam contra o projeto.

Aprovação

Do lado de fora do plenário, pessoas de diversas religiões pediam a aprovação do projeto. ?Sou adventista. Não acredito que alguém pode ser contra por ser católico?, reivindicava o mestre de obras Nelson Brero. ?Dia da Bíblia tem de ser todo dia, mas ter uma data comemorativa é importante?, defendia o evangélico Lourival Novaes, ao que complementava a católica Cláudia dos Santos: ?Religião não tem nada a ver. Tem dia pra tudo. Por que não pode ter um dia consagrado também à Bíblia??. A segunda votação do projeto foi adiada para a próxima segunda-feira.