As reivindicações por melhores condições de trabalho e questões salariais levaram os professores da rede municipal de ensino para as ruas. Eles fizeram uma passeata entre a Praça Santos Andrade, no centro, até o Palácio 29 de Março, no Centro Cívico, para pressionar a Prefeitura de Curitiba sobre a pauta de reivindicações da categoria. Os alunos foram informados na última terça-feira de que haveria greve dos professores por tempo indeterminado.

De acordo com a Secretaria Municipal de Educação, 3,4 mil professores da rede de ensino público de Curitiba não trabalharam na manhã desta quarta-feira. São 10,5 mil professores atuando na rede municipal. Não houve atendimento em 77 das 181 escolas municipais.

Apesar de uma participação maciça dos professores na manifestação, muitos preferiram não se identificar ou não dizer o nome da escola onde trabalham, com medo de represálias e de perder a gratificação por estarem no protesto. Muitos deles relataram que alguns professores resolveram ir trabalhar, mesmo sem qualquer aluno na escola. A manifestação também teve a participação der servidores municipais.

Os professores relataram problemas dentro das salas de aula, como a quantidade excessiva de alunos. “Tem sala com 43 alunos. Como isto é possível, sendo que ficou determinado que eram no máximo 35?”, questiona uma professora. “Já apareceu em reunião professor relatando que estava com 49 alunos dentro da sala de aula”, revelou uma professora.

Os manifestantes também querem melhorias no Instituto Curitiba de Saúde (ICS), que atende os servidores públicos municipais. “Eu estou entrando agora e tive descontado R$ 170 para o ICS. Mas com carência de três meses. Estou pagando e não poderei usar neste período. A paralisação não é só por questões salariais”, comenta outra professora. Muitos relataram que houve adesão superior a 80% em suas escolas.

Com a passeata, o trânsito ficou complicado na região central durante a manhã. Os professores se concentraram em frente a Prefeitura de Curitiba. O prédio estava cercado e contava com a presença da Guarda Municipal.

O presidente do Sindicato dos Servidores do Magistério Municipal de Curitiba (Sismmac), Rafael Furtado, explica que os professores desejam o cumprimento ainda em 2012 dos 33% da jornada em hora-atividade, ou seja, um terço do horário de trabalho para preparação de aulas, correção de provas, atendimento e atualização. Esta proporção está prevista na lei nacional do piso da educação. Atualmente, os professores têm 20% de hora-atividade.

Sobre o número de alunos em sala de aula, Furtado explica que a Conferência Municipal de Educação, realizada no ano passado, determinou que nas séries iniciais o máximo de alunos seria de 25 em sala de aula, mas há 35 crianças sendo atendidas por um professor. “Sobre as questões salariais, a prefeitura tem uma dívida com os professores, de 20% de perdas entre 1999 e 2001, quando não houve a reposição da inflação corretamente”, afirma.

De acordo com ele, a categoria reivindica a incorporação da gratificação paga aos professores, de até R$ 275, nos salários. Além dos 10% de aumento já anunciados pelo prefeito Luciano Ducci, que devem ser pagos em abril. “Nós tínhamos a proposta do piso de R$ 1,8 mil e já reduzimos. Curitiba tem o 4º Produto Interno Bruto (PIB) do País. Não se pode colocar no mesmo patamar de cidades pobres”, comentou.

Furtado fala que o piso nacional de R$ 1.451,00 vale para o professor de nível médio. Quem tem nível superior deve ganhar pelo menos 50% a mais. A Secretaria Municipal de Educação, pro meio de assessoria de imprensa, destacou que Curitiba paga mais do que o piso nacional. Segundo a Prefeitura de Curitiba, com o aumento, de 10% anunciado por Ducci, o vencimento básico para 20 horas de jornada de trabalho chega a R$ 1.319,90 mais a gratificação de R$ 275, chegando a R$ 1.594,90. Para 40 horas semanais, o salário do professor será em abril de R$ 2.639,80, além da gratificação de R$ 550, totalizando R$ 3.189,80.

Confira aqui a galeria de fotos da greve.