A movimentação dos participantes
começou por volta das 9h.

A luta por salário, saúde e previdência pública fez com que centenas de professores e funcionários de escolas estaduais saíssem em passeata, ontem, até o Centro Cívico, em Curitiba. A movimentação dos participantes começou por volta das 9h, na praça Santos Andrade, e foi organizada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP-Sindicato). No início da tarde eles se reuniram com o governador em exercício, Orlando Pessuti, e secretários para discutir as propostas. O governo se comprometeu a estudar uma reposição gradual das perdas salariais da categoria. Em outubro, deverá haver nova rodada de negociações.

A passeata integrou a paralisação nacional pela reforma da Previdência e antecipou o dia 30 de agosto, data na qual os professores, desde 1988, realizam protestos e manifestações. “No dia 30, completam-se 15 anos do dia em que os professores foram recebidos por cavalos, cães e policiais armados no Centro Cívico, durante o governo Álvaro Dias”, afirmou o presidente da APP-Sindicato, professor José Rodrigues Lemos.

Assim como outras categoria de servidores públicos, os professores e funcionários de escolas defendem alterações no texto de reforma da Previdência e se sentem traídos pelo governo federal por não terem sido consultados. “Defendemos a isonomia entre ativos e aposentados, além de aposentadoria especial para os professores que, depois de alguns anos de serviço, começam a apresentar problemas nas cordas vocais e outras doenças, não podendo mais exercer a profissão”, argumenta. Pessuti se comprometeu a interceder junto aos deputados federais para mudar os pontos questionados pelos professores.

Com faixas, cartazes e gritos de guerra, os professores pediam melhores condições salariais. “Não temos reajuste há oito anos e, segundo o IBGE, temos defasagem salarial de mais de 90%”, disse Lemos.

Durante a reunião, o governo afirmou que o reajuste estaria condicionado ao aumento da receita do Estado e às limitações da Lei de Responsabilidade Fiscal. Os professores mostraram dados do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos) que apontam constante crescimento na arrecadação. O secretário da Administração, Reinhold Stephanes, lembrou que a folha de pagamento do Estado cresceu 25% neste ano.

Na área de saúde, os participantes da passeata pediram o retorno do IPE-Saúde, que foi substituído, em 2001, pelo Sistema de Assistência à Saúde (SAS). “Queremos um IPE melhor do que quando foi fechado e melhor do que o SAS, que tem poucos hospitais credenciados e não cobre determinados exames e cirurgias”, declarou Lemos. O governo aguarda uma pauta de reivindicações com relação ao plano de cargos e carreira e ao IPE para analisar a possibilidade de atendê-las.

O passeata dos professores contou com a participação de profissionais vindos de diversas regiões do Estado e de outras categorias de servidores estaduais. (Colaborou Elizangela Wroniski)