Foto: Lucimar do Carmo/O Estado

Na Praça Santos Andrade, professores e sem terra se uniram.

Mais de três mil professores e funcionários de escolas públicas do Paraná participaram ontem de um protesto em Curitiba. Os manifestantes se concentraram na Praça Santos Andrade, de onde seguiram em passeata até o Palácio Iguaçu. Entre as principais reivindicações está o reajuste salarial de 56,94%.

Antes de deixar a praça, os educadores se uniram com cerca de seis mil integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e Via Campesina, que também estavam na Santos Andrade antes de seguir para o Estação Convention Center, onde acontece a reunião com ministros de diversos países que integram os eventos da Organização das Nações Unidas (ONU). Depois de muitos protestos e discursos dos dois segmentos, os educadores seguiram até o Centro Cívico.

A intenção da categoria era ficar em frente ao Palácio Iguaçu até que fossem recebidos pelo governador Roberto Requião. No entanto, enquanto os professores se concentravam, Requião afirmava durante a Escola de Governo, no Museu Oscar Niemeyer, que não atenderia os professores, e considerava a manifestação uma baderna.

Segundo o presidente da APP-Sindicato de Professores, José Rodrigues Lemos, os educadores reivindicam um índice de 56,94% de reajuste salarial, além da incorporação do auxílio-transporte de R$ 150 aos salários. "Com esse índice conseguimos equiparar os salários dos professores com os demais servidores", falou.

Os professores também queriam pressionar o governo a enviar para a Assembléia Legislativa o Plano de Carreira dos Funcionários. De acordo com Lemos, o plano está pronto e foi negociado durante uma série de reuniões com a Secretaria de Estado da Educação. "Nós não entendemos por que tanta demora", questionou Lemos.

Durante a manifestação de ontem, os professores também queriam pressionar os deputados estaduais a derrubar o veto do governador ao Projeto 486/2005, que limita o número de alunos em sala de aula. Pelo texto, no ensino médio deve haver no máximo 35 alunos em sala. Para o ensino fundamental o limite é de 30 alunos, e de 25 alunos para as séries iniciais. De acordo com José Lemos, já ficou comprovado que o número excessivo de alunos em sala de aula prejudica o aprendizado.

Campanha

Para o governador Roberto Requião, a mobilização dos professores tinha um caráter político. "Essa tentativa de mobilização da APP-Sindicato mais parece o início de uma campanha eleitoral de alguns dirigentes da associação do que uma manifestação legítima de professores. Os professores nunca foram tão respeitados por um governo quanto por esse nosso", afirmou Requião. Segundo o governador, a manifestação foi injusta e sem ética, pois a primeira ação quando assumiu o mandato foi melhorar os salários dos professores, que tiveram reajustes de 33% a 103%. Ele ressaltou que não é possível estabelecer comparação entre o salário dos professores e o do quadro geral, como foi proposto pela APP-Sindicato, principalmente pelas diferenças de carga horária e na progressão da carreira. "Pelo novo Plano de Cargos e Salários, em quinze anos o professor chega ao pico de sua carreira. Já o funcionário do quadro geral, para conseguir a mesma progressão, leva 40 anos", comparou. De acordo com dados da Secretaria de Estado da Educação, a adesão à greve não chegou a 15% em todo Estado.

Posição

O secretário-chefe da Casa Civil, Caíto Quintana, recebeu ontem uma comissão formada pelos dirigentes da APP-Sindicato, para explicar a posição do governo do Paraná. Segundo Caíto, não há necessidade de mobilização dos professores para que haja negociação com o governo. O secretário também disse que o governo tem um compromisso com a educação que vai além do salário dos professores. "A construção e reforma de salas de aula, a informatização das escolas e colégios da rede, cobertura de quadras, entre outras obras. Tudo isso faz parte do orçamento da Educação, que não pode ficar restrito única e exclusivamente à reivindicação salarial", explicou.