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Os professores saíram ontem de
Ponta Grossa em direção a capital.

Com o objetivo de sensibilizar o governo para que atenda suas reivindicações, cerca de cinqüenta representantes de professores e servidores de escolas públicas de todo o Paraná iniciaram ontem uma marcha de 120 quilômetros, saindo da Praça Barão do Rio Branco, em Ponta Grossa, rumo a Curitiba. Os manifestantes deverão chegar na quarta-feira pela manhã.

Conforme o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Paraná (APP), José Lemos, nesse dia haverá paralisação nacional para a defesa e promoção da educação pública. "Estamos esperando reunir cinco mil pessoas em frente ao Palácio Iguaçu", afirma.

Os manifestantes irão caminhar mais de 20 quilômetros por dia, de manhã e de tarde, e irão acampar na beira da estrada. Segundo Lemos, um carro irá acompanhá-los para dar o suporte necessário. Ao chegar a Curitiba, os funcionários irão até a frente da Catedral, onde se encontrarão com outros manifestantes, para então seguir até o Palácio Iguaçu.

A carta de reivindicações é composta por 22 pontos, que inclui itens como elaboração de plano de carreira para os 25 mil funcionários de escolas estaduais e reposição de salário de 48%. Lemos explica que a intenção é equiparar os salários de professores e funcionários aos demais servidores do Estado. Ele afirma também que "precisamos sensibilizar o governo estadual, que está reticente com relação ao plano de carreira dos funcionários".

Na pauta da APP estão incluídas também reivindicações destinadas ao governo federal, que serão defendidas em Brasília pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), entidade que envolve os sindicatos estaduais. Entre as propostas nacionais a serem encaminhadas pela CNTE na paralisação de quarta-feira, encontra-se a de conversão de parte da dívida externa pública brasileira em investimentos em educação. O secretário executivo da CNTE, Eduardo Ferreira, acredita que a negociação com credores é viável. "A Argentina já conseguiu isso com a Espanha. É claro que é preciso assumir compromissos e salvaguardar os recursos que serão usados para educação", afirma.

Segundo Lemos, a APP enviará alguns ônibus com professores e servidores a Brasília para participar das manifestações. Ele lembra que o Brasil investe muito pouco em educação. "Há a necessidade de que haja mais investimentos para que o país possa se desenvolver."