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Curitiba conta com cerca de 450 pontos, entre terrenos e construções, desocupados, que acabam sendo utilizados por delinqüentes. Alguns viram até residência de pessoas que não têm onde morar. Conhecidos como "mocós", a maioria desses espaços fica no centro da cidade e a Prefeitura tem dificuldade de intervir por se tratarem de imóveis particulares.

O diretor de fiscalização da Secretaria de Urbanismo, José Luiz de Mello Filippetto, comenta que após a identificação do proprietário, ele é notificado a fazer, em trinta dias, a vedação de todos os pontos de abertura do prédio, bem como, do muro do imóvel. Quando isso não é obedecido, o proprietário é multado – o valor da multa é de R$ 1 mil para edificações de até 400 metros quadrados, e R$ 2 mil para os acima de 400 metros quadrados. Os valores dobram quando há reincidência. Nos casos de não pagamento das multas, os valores são inscritos em dívida ativa.

Mas a dificuldade da Prefeitura em regularizar a situação é que a maioria desses imóveis possui problemas de inventário, e a família não tem interesse ou condições financeiras para manter a edificação. Outra situação, comenta Filippetto, são os imóveis que pertencem a empresas que faliram. "O síndico da massa falida não tem autonomia para fazer as obras e a Justiça sempre determina outras prioridades como o pagamento dos encargos trabalhistas", explicou.

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A desatualização de cadastros é outro problema. O diretor de fiscalização comenta que muitas pessoas vendem os imóveis e não fazem a transferência ou regularizam a documentação junto à Prefeitura. A localização desses proprietários exige um processo de investigação. "Temos que fazer um trabalho de detetive, que muitas vezes acaba sem sucesso", falou.

Sem solução

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Nas situações mais críticas, cujos imóveis se transformaram num problema para a comunidade devido a concentração de desocupados, Filippetto disse que o município tenta viabilizar a vedação, e os custos da obra são debitados em dívida ativa. Porém esses casos são poucos, já que o município não pode investir em patrimônio particular. Ele comentou que em um ponto na Avenida Comendador Franco, no bairro Uberaba, o município fez a intervenção, mas uma semana depois o imóvel foi incendiado.

Diante disso, comentou o diretor, a Prefeitura fica de mão atadas, sem poder resolver o problema. Ele lamenta que o número de mocós vem crescendo em Curitiba, devido a falta de condições dos proprietários em manter esses locais. "Ninguém demostra interesse, mesmo existindo programas de incentivos fiscais para os considerados de interesse de preservação", afirmou. Mesmo assim, solicita que a população denuncie esses locais através do telefone 156.