Em entrevista concedida ao vereador e radialista Luís Ernesto (PSDB), na manhã de ontem, o prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL), acusou setores oposicionistas a seu governo de orquestrarem a invasão num terreno da Prefeitura no bairro São Braz. Desde a noite da última sexta-feira, cerca de 80 famílias estão nessa área, na Rua Pedro Corrêa da Cruz, próximo ao Contorno Sul.

Taniguchi alegou que a invasão aconteceu como reação à divulgação de uma pesquisa que, no início do mês, apontou Curitiba com o segundo melhor Índice de Carência Habitacional (ICH) entre as capitais brasileiras. O prefeito também criticou a postura do governo do Estado, em especial da Polícia Militar, que não havia cumprido a ordem de reintegração de posse da área.

Na entrevista, uma espécie de desabafo, Taniguchi chamou os invasores de vagabundos, alegando que eles invadem terrenos e depois os vendem. “O líder do grupo tem carro e telefone celular”, disse.

A pesquisa a que o prefeito se referiu foi feita pelo Observatório das Metrópoles, um núcleo ligado ao Instituto de Pesquisas e Planejamento Urbano Regional (Ippur) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Com índices de zero a um, a melhor condição habitacional é apontada para quem chega mais perto de um. Esse índice é obtido pela média de três subíndices: lixo, água e saneamento. Curitiba obteve um ICH de 0,973, perdendo apenas para Vitória, no Espírito Santo, que teve ICH de 0,99. Os subíndices de Curitiba foram: ICH-lixo 1,00, ICH-água 0,99 e ICH-Saneamento 0,93.

Ocupação

Na tarde de terça-feira, o terreno ocupado foi cercado por cerca de 80 guardas municipais, que acompanharam o oficial de Justiça Olímpio César Huger. Ele tentou fazer a reintegração de posse apresentando decisão da juíza Angela Maria Costa Machado, da 2.ª Vara da Fazenda Pública de Curitiba, mas foi impedido pelos invasores que se recusaram a sair do local. Após uma hora na área, Olímpio recolheu várias listas com os nomes dos ocupantes. “Vou anexar aos autos e pedir reforço policial para que a ordem seja cumprida”, afirmou.

Segundo a Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp), até o final da tarde de ontem, nenhum pedido de ação para reintegração de posse da 2.ª Vara foi entregue. A secretaria informou que, assim que receber o pedido, repassará ao Comando do Policiamento da Capital (CPC), para que a PM monte a estratégia a ser usada na reintegração.

Segundo um dos líderes dos invasores, Darci Pereira da Silva, mais conhecido como Marcos, a Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab), vai receber os invasores para uma conversa amanhã. “Por enquanto está tudo tranqüilo aqui. Apenas quatro carros da Guarda Municipal estão rondando o terreno”, contou.