Foto: Ciciro Back/O Estado

Sem a presença do presidente Lula, como estava previsto, o trânsito voltou ontem ao normal na ponte sobre a represa do Capivari.

Em vez do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que não pôde estar na reabertura da ponte sobre a represa do Capivari, funcionários do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (DNIT) que trabalharam na reconstrução do trecho comprometido. Foram eles que marcaram presença ontem à tarde para retirar os cavaletes que impediam o tráfego na ponte, importante trecho da BR-116, a principal via de acesso do Sul do Brasil a São Paulo.

A liberação do trecho pôs fim a uma espera de um ano, dois meses e cinco dias, desde a fatídica queda de parte da ponte, ocasionada por um deslizamento de terra. Na madrugada do dia 25 de janeiro do ano passado, o caminhoneiro Zonardi José Nascimento perdeu a vida e mais três pessoas se feriram.

Ontem, na reabertura da ponte, um dos motoristas que passou no local, em meio ao buzinaço provocado pelos primeiros veículos que passaram pelo trecho, lembrou da vítima fatal. ?Estão comemorando a morte daquele caminhoneiro??, ironizou o condutor, que não se identificou.

Ressalvando o protesto, a maioria dos motoristas que passavam no local não escondiam o alívio pela liberação do tráfego. ?Foi mais de um ano tendo que enfrentar um trânsito lento e correndo muito mais riscos de acidente?, disse o motorista Roger Robson.

De fato, não bastasse o transtorno do acidente em si, a queda de parte da ponte forçou o desvio do tráfego para a ponte paralela, no sentido norte-sul, tornando o trecho uma perigosa via de mão dupla. ?No período da interdição, aconteceram mais acidentes e óbitos do que o normal?, afirmou o inspetor Furtado da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Porém, segundo o coordenador do DNIT no Paraná, David Gouvêa, não houve outra saída senão desviar o tráfego para a outra ponte. ?Não poderíamos simplesmente interromper o fluxo enquanto trabalhávamos na ponte?, disse. Sobre a demora na entrega da obra, inicialmente prevista para agosto do ano passado, o engenheiro responsável pela região, Ronaldo Jares, explicou que o atraso real ficou só em um mês. ?Fizemos o que tinha que ser feito, primeiro reforçando a outra ponte para desviar o tráfego, depois limpando a área e por fim construindo a ponte. Por questões burocráticas, as obras só começaram, de fato, em agosto do ano passado?, disse.

Sobre o acidente, ele ressaltou que o deslizamento que ocasionou a queda das vigas aconteceu devido a um movimento subaquático. ?A terra se deslocou a 12 metros de profundidade do lago. Justamente por isso, instalamos um inclinômetro de leitura mensal que medirá a movimentação da encosta?, afirmou. Também como precaução funcionam no local, desde o acidente, balanças próximas aos postos da PRF, que controlam o fluxo de caminhões no local.

Recomeço

Com a ponte liberada, as obras se direcionam para a ponte paralela, que recebeu durante mais de um ano o tráfego em mão dupla. Na segunda-feira, o trabalho começa na cabeceira sul. Para a realização das obras, o trânsito não será interrompido.