Átila Alberti / GPP

Terreno próximo à ponte que está em
uso continua cedendo, mesmo assim, DNIT descarta maiores problemas.

A recuperação da ponte sobre a represa do Capivari, na BR-116, que teve parte da estrutura destruída durante um deslizamento de terra, não tem previsão para iniciar. O prazo emergencial de 180 dias dado pelo Departamento Nacional de Infra-estrutura em Transporte (DNIT) logo após o acidente – que aconteceu no dia 25 de janeiro – e que permitia a contratação de empresas sem licitação, vence no dia 28 de julho e não poderá ser renovado. Até essa data, o DNIT promete concluir apenas as obras de contenção da ponte, que fica ao lado da estrutura sinistrada, e que vem sendo usada para escoar o tráfego entre o Paraná e São Paulo.

O chefe do setor de operações da 9.ª Unit/DNIT-PR, David Gouvea, explica que para a recuperação da ponte será necessário iniciar um processo de licitação, para então contratar uma empresa para realizar a obra. No entanto, o trabalho entrará como ?obras de rotina? do órgão, sem previsão de início. Gouvea disse que o prazo inicial, que era de seis meses para a reconstrução da ponte, não foi cumprido porque a prioridade nesse período foi tentar conter a movimentação de terra que poderia afetar a ponte que está em uso. ?Desde o acidente alguns detalhes precisaram ser priorizados, e nossa preocupação foi de conter o maciço e dar fluidez ao tráfego?, falou Gouvea.

Deslizamento

Mesmo admitindo que a terra continua cedendo, Gouvea afirmou que não existe qualquer perigo da ponte em uso também desabar. ?O terreno está trabalhando e nós também?, disse. Segundo ele, três empresas estão atuando na contenção da terra e retirando o material que vem provocando deslizamentos na região. Mas na tarde de segunda-feira, apenas um caminhão com poucos trabalhadores estavam no local.

O chefe de operações do DNIT afirmou que as rachaduras no solo, que são visíveis ao lado da ponte, não representam qualquer risco. ?Elas não comprometem a ponte, pois já foram feitas barreiras de contenção. Não tem risco algum?, disse. A única dificuldade nesse momento, afirmou Gouvea, é a chuva que vem atrasando ainda mais os trabalhos.

O professor Renato Lima, do Centro de Apoio Científico em Desastres da Universidade Federal do Paraná (UFPR)), disse que a movimentação registrada na região inspira cuidados. ?Aquilo está em processo de evolução, e nós já tínhamos alertado sobre esse problema desde o início?, disse. Lima falou que a universidade vem acompanhando de longe a situação devido a desentendimentos com DNIT, mas ele espera retomar os contatos na próxima semana.