Foto: Jornal do Iguaçu

Manifestação de ontem reuniu cerca de mil motoristas em Ciudad del Este, no Paraguai.

Em uma assembléia realizada ontem, os taxistas paraguaios resolveram fechar na próxima segunda-feira a Ponte da Amizade, que liga Foz do Iguaçu a Ciudad del Este. A decisão é uma forma de protestar contra o governo daquele país, que teria se comprometido desde o ano passado a apresentar medidas que gerassem empregos na região. Mas até agora nada foi feito e a situação está sendo agravada com a intensa fiscalização da Receita Federal do Brasil, apreendendo veículos paraguaios que transportam mercadorias ilegais.

Ontem, porém, motoristas de táxis e vans do Paraguai fizeram um protesto preliminar na fronteira. A manifestação reuniu aproximadamente mil motoristas, de acordo com representantes dos cinco sindicatos da cidade paraguaia, que reúnem as diferentes categorias. Os manifestantes ameaçaram expulsar agricultores brasileiros que têm terras no Paraguai e prometeram repetir a onda de protestos que atingiram a Ponte da Amizade no mês de março, bloqueando a fronteira novamente.

Segundo um dos dirigentes da Associação dos Taxistas Unidos de Ciudad del Este (Taude), Santiago Segovia, os taxistas estão à mingua, sofrendo com a falta de emprego. Ele afirma que desde o ano passado a associação vem conversando com o governo, mas até agora nenhuma alternativa para amenizar a crise foi apresentada. E também explica que não queriam fechar a ponte porque até eles saem prejudicados, mas não viram outra alternativa para chamar a atenção do governo para o problema. O horário para fechar a fronteira com o Brasil ainda não foi definido.

De acordo com Segovia, cerca de 80 taxistas já ficaram sem ter como trabalhar devido a apreensão de veículos paraguaios. ?A situação já estava ruim e agora ficou pior. Os carros são instrumentos de trabalho. É com eles que sustentamos as nossas famílias?, comenta. Os taxistas também querem que o governo paraguaio negocie com as autoridades brasileiras para devolver os veículos apreendidos. Os números não são exatos, mas Segovia calcula que passam de 35 táxis, dentre os 240 (vans, motos, particulares) apreendidos até dia primeiro de março.

Diariamente, cruzam a Ponte da Amizade entre 15 e 20 mil pessoas, a maioria sacoleiros. Segundo o delegado substituto da Receita Federal em Foz do Iguaçu, Gilberto Traganan, este ano já foram apreendidos 1,2 mil veículos, não chegando a 10% o números de carros paraguaios. Ele diz ainda que existem apenas duas maneiras de reaver os carros. Uma delas é através de um processo administrativo, onde o reclamante prova que não transportava mercadorias irregulares e o outro segue o caminho judicial. ?É a mesma regra para brasileiros e estrangeiros. Não é cabível tratar de maneira diferente os veículos paraguaios?, comenta. Traganan fala ainda que são apreendidos por dia cerca de 70 veículos, sendo três ou quatro do país vizinho. Na segunda-feira, o clima pode esquentar na região. Segundo informações do comando da Marinha daquele país, os soldados vão estar em alerta e se for necessário será usada força policial para dispersar o movimento.