O pai de um garoto de quatro anos que sofre de uma síndrome metabólica degenerativa quer a eutanásia para seu filho em São Paulo. Uma junta médica afirma que a doença não tem cura e vai evoluir para a morte. Já a mãe é contra, ela tem esperança de que o filho se recupere. Essas posições divergentes também são vislumbradas na sociedade, mostrando que, apesar de a eutanásia ser proibida, o assunto precisa ainda ser amplamente debatido. Ontem, em Curitiba, começou o Simpósio de Biotética 2005 sobre ?O impacto das ciências sobre a vida.?

O professor de teologia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Mário Antônio Sanches, falou sobre a eutanásia. Ele afirma que cada vez mais a sociedade sente a necessidade de discutir o tema. ?Nos últimos anos a ciência biomédica evoluiu muito e ela tem um grande impacto sobre a vida humana?, fala.

Segundo o professor, desligar os aparelhos que mantêm o garoto vivo implicaria na prática de eutanásia, sendo considerado um crime. Mas a bioética discute hoje a possibilidade de não prolongar a vida com excesso de procedimentos médicos, chamado de distanásia. Ele cita o caso de um paciente terminal em que os atendimentos acabam apenas prolongando o sofrimento. ?Se houver uma parada cardíaca ou respiratória, entubar o doente só vai prolongar a dor?, exemplifica.

O encontro está sendo promovido pelo Instituto Vicentino de Filosofia (IVF), Centro Acadêmico Vicentino de Filosofia e o Núcleo de Estudos em Bioética da PUCPR.