Enquanto o PIB nacional projeta um crescimento de 1,9% para 2026, estimativa do Fundo Monetário Internacional, a movimentação das pequenas e médias empresas atendidas pelo Banco Itaú no Paraná atingiu a marca de R$ 371 bilhões, registrando uma expansão real de 9%.

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O banco Itaú, tradicionalmente concentrado no eixo Rio-São Paulo, percebeu que os melhores retornos e os clientes mais resilientes estão no interior da região Sul. Em busca da sua “fatia de bolo”, a financeira adotou uma nova estratégia, estando mais presente na região onde a base das empresas ativas saltou quase 10%.

Para não perder terreno, o banco Itaú decidiu expandir o atendimento a PMEs no estado e abrir escritórios de atendimento físico em 14 novas cidades do interior, avançando em polos como Londrina, Maringá, Ponta Grossa, Guarapuava e Pato Branco.

Para conhecer melhor os detalhes da expansão, o diretor do Itaú Empresas Bruno Machado conversou pessoalmente com a reportagem da Tribuna do Paraná.

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“O estado se beneficia de uma matriz econômica muito equilibrada e de um empresariado que reage rápido a incentivos de mercado, o que explica o apetite dos grandes bancos em alocar mais capital e estrutura física na região”, afirma Bruno Machado.

O papel do banco no crescimento das empresas

Mesmo com o agronegócio e o setor industrial fortes no Paraná, é o comércio varejista (27,5% da carteira do Itaú em 2025) que dita o crescimento apontado pelo banco. Para o diretor, o mercado paranaense é marcado por empresas com forte foco na qualidade do produto ou serviço que entrega. Por causa do produto excelente, a empresa atrai grandes clientes.

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No entanto, para atender a maior demanda, a empresa precisa triplicar sua produção imediatamente. Compra mais matéria-prima, que muitas vezes exigem pagamento à vista ou em prazos curtos. Porém, as grandes redes de varejo/atacado costumam pagar seus fornecedores em prazos longos – 60, 90 ou até 120 dias.

Esse intervalo de dois meses sem dinheiro em caixa é o chamado “descasamento de prazos”. Se o empresário não tiver um banco parceiro para cobrir esse buraco com crédito rápido, ele quebra vendendo muito.

“O maior perigo para o pequeno empresário paranaense não é a crise, é a empolgação do crescimento descolado do caixa”, diz Machado. “Eu visito muitas empresas que estão vibrando porque fecharam um contrato gigante, mas esquecem que vão precisar de milhões de reais para girar a produção antes de ver o primeiro centavo entrar. Sem planejamento, o novo contrato estrangula o negócio que já dava certo”.

Por isso, afirma Machado, o papel do banco não é mais apenas dar o crédito de forma fácil. “O difícil e necessário é orientar sobre o tamanho e o momento exato de pegar esse dinheiro.”

Onde o paranaense está gastando?

Com a taxa de desemprego no Paraná em 3,5%, de acordo com a Pesquisa Nacional Por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) do IBGE, o dinheiro do salário vai em boa parte para o comércio local.

Dados de um levantamento interno realizado pelo próprio Itaú Empresas, com base no monitoramento das transações financeiras em suas plataformas no estado, mostram os setores com melhor desempenho em vendas:

  • Locação de carros e serviços automotivos: +26,4%
  • Supermercados (alimentação): +22,8%
  • Celulares e tecnologia: +20,3%

Mais fôlego e sobrevivência para as empresas

Diante do consumo acelerado, as PMEs do Paraná são disputadas entre os grandes bancos e cooperativas de crédito locais. Em um mercado dinâmico, entender melhor e se profissionalizar em finanças tem sido um critério de sobrevivência fundamental.

Um estudo recente da Fundação Getúlio Vargas (FGV) encomendado pelo banco mediu o impacto da assessoria de finanças na prática. No Paraná, as pequenas e médias empresas que utilizam assessoria estratégica e crédito planejado têm uma taxa de sobrevivência 27,8% maior após os cinco primeiros anos de vida do que a média de mercado. As PMEs demonstraram uma capacidade 24,5% maior de diversificar seus negócios e expandir portfólios.

Para Bruno Machado, o mercado paranaense é extremamente dinâmico, mas não tolera o amadorismo. “Quando um empreendedor tem acesso a uma assessoria que o orienta a diversificar seu portfólio e a tomar o crédito no tamanho e no momento exatos, nós deixamos de falar apenas sobre sobrevivência e passamos a falar sobre crescimento real. O papel do banco hoje é dar a previsibilidade e o oxigênio necessários para que o empresário local expanda sua estrutura com total segurança.”