O 16.º Batalhão de Polícia Militar (PM) de Guarapuava cumpriu ontem um mandado de reintegração de posse na fazenda Santa Maria, em Santa Maria do Oeste, região central do Estado. Trinta famílias de agricultores sem terra ocupavam a área no interior, desde agosto do ano passado, e foram encaminhadas para casa de parentes na região ou assentamentos próximos ao local.

Cerca de 370 homens da Polícia Militar chegaram no local logo cedo, por volta das 6h30 da manhã para executar a desocupação do terreno. Os integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) saíram pacificamente da fazenda.

Segundo o 2.º tenente do 16.º Batalhão, Rodolfo Kredens Silva, as famílias que não tinham parentes próximos da área desocupada foram levadas para os assentamentos Estrela do Oeste e Matos Leão. ?Não houve resistência e, às 13h, a desocupação já estava concluída?, declarou, revelando que, quando os policiais chegaram ao local, parte do acampamento já estava abandonado.

A fazenda, de 140 alqueires, é de propriedade de Neide Alves e, segundo informou o MST, está penhorada no banco Bradesco, devendo ir a leilão ainda este ano. A ocupação foi uma tentativa dos sem terra de pressionarem o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) a desapropriar o local para o assentamento de famílias da região.

A reintegração de posse foi determinada pela Justiça ainda em agosto do ano passado, mas a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) não a cumpriu alegando que o Incra estava negociando sua desapropriação. No último dia 14 o Incra desmentiu tal informação e o governo do Estado iniciou um plano de reintegração de posse, cumprido ontem.

Pelo atraso no cumprimento da ordem judicial, o governo está sujeito a multa de valor ainda não calculado. A desocupação de ontem ocorreu exatamente uma semana após outra reintegração de posse na região. No último dia 23, cerca de 700 membros do MST foram retirados pela Polícia Militar da Fazenda Três Pontos, em Diamante do Oeste. Mas, naquela hipótese, houve bastante resistência. A operação resultou na prisão de nove sem terra e outros dez ficaram feridos.

De acordo com o MST, o movimento tem, no Paraná, 8 mil integrantes em acampamentos em fazendas que consideram improdutivas ou nas beiras de estrada, aguardando a Reforma Agrária.