Foto: Giuliano De Luca/O Paraná

Depois das negociações, integrantes do MST desocuparam local.

Depois de uma operação conturbada, cerca de 700 membros do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) foram retirados pela Polícia Militar (PM) ontem da Fazenda Três Pontos, que tem 600 alqueires e foi ocupada no último dia 30 de janeiro, em Diamante do Oeste. A PM chegou na região logo cedo e encontrou bastante resistência. Os sem terra bloquearam dois trechos da PR-488, que liga Diamante do Oeste a Santa Helena, para impedir que a polícia chegasse até o local. Para entrar na fazenda, no início da tarde, a PM teve que usar bombas de efeito moral e munição antimotim para dispersar a resistência dos trabalhadores rurais.

De acordo com policiais do posto da Polícia Rodoviária Estadual de Santa Helena, que fica a 20 quilômetros da fazenda, assim que souberam da desocupação, integrantes do MST derrubaram diversas árvores para bloquear um trecho da rodovia. No segundo trecho foram jogadas várias pedras, o que fez com que a polícia tivesse que voltar. Os sem terra esperaram os policiais nos bloqueios com foices e pedaços de ferro. Depois de entrar em acordo com a polícia, por volta do meio-dia, liberaram a estrada e seguiram até a cidade para protestar e pedir ajuda do prefeito e dos vereadores.

Cerca de 800 policiais participaram da desocupação. No começo da tarde, os sem terra formaram um barreira para impedir que a PM entrasse na fazenda. Depois de disparar tiros de balas de borracha e bombas de efeito moral, a polícia conseguiu afastar e controlar os sem terra. Os policiais dividiram os trabalhadores rurais em grupos e, segundo informações da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp), os sem terra se dissiparam por vários lugares depois que saíram da fazenda. Cinco caminhões haviam sido disponibilizados pelo proprietário da fazenda para levar os pertences dos sem terra.

Feridos

Segundo nota divulgada pelo MST no final da tarde de ontem, os trabalhadores rurais que estavam na fazenda afirmaram que ?a PM não cumpriu o acordo feito com os sem terra na presença da sociedade de Diamante do Oeste, onde foi decidido que desocupariam a sede e montariam acampamento em uma área de seis alqueires dentro da fazenda por duas semanas até encontrar outro local para levar as famílias?.

Além disso, reclamaram que cinco sem terra ficaram feridos e tiveram que ser encaminhados para o hospital. ?Ainda não se sabe quantas pessoas estão feridas porque muitos sem terra estavam imobilizados dentro da fazenda?, afirma a nota. ?Os trabalhadores querem saber se a mesma Justiça que concedeu a reintegração de posse ao fazendeiro Cezar Cabral, argentino naturalizado paraguaio, também vai investigar o seu comércio de cigarros no Brasil e verificar se os dólares usados por ele na compra da fazenda foram registrados pela Polícia Federal?, termina a nota.

Já a Sesp informou, também por meio de nota, que a polícia foi recebida com violência pelos trabalhadores rurais.

Prisões

Três trabalhadores rurais foram presos por porte ilegal de armas e outros seis detidos por desobediência. Diversos objetos cortantes, armas, munição e garrafas com combustível foram encontrados nos 150 barracos e apreendidos. O 6.º Batalhão da PM, em Cascavel, informou que a desocupação deveria terminar por volta das 21h de ontem.