Técnicos estudam espécie
ameaçadas pelas usinas.

O impacto ambiental nos locais de construções de usinas hidrelétricas é muito grande, pois a formação do reservatório de água prejudica a fauna e a flora da região. Se um trabalho de recuperação não for feito, muitas espécies de bichos e plantas podem sumir com o alagamento da floresta.

Para diminuir os riscos ambientais nas construções das usinas de Santa Clara e Fundão, no Rio Jordão (região central do Estado), o engenheiro florestal Ricardo Iantas elaborou um estudo das espécies de árvores que desaparecerão, recolhendo as sementes e produzindo mudas em viveiros de pequenas propriedades rurais da região e do Instituto Ambiental do Paraná (IAP).

Elas já estão sendo plantadas em áreas próximas ao que virá a ser o lago da represa. Das 100 espécies encontradas na região, 30 tipos de árvores foram considerados estratégicos pela dificuldade de gerar sementes ou pela raridade. Até agora, 80 mil mudas foram plantadas. Metade delas é fruto do estudo científico promovido por Iantas. Ainda serão produzidas 30 mil mudas para o projeto.

Ele conta que a Companhia Paranaense de Energia (Copel), responsável pelas usinas, cumpriu todas as exigências legais na licença ambiental, como o reflorestamento da área. Mas algumas espécies plantadas precisariam de acompanhamento por vários anos: “As mais comuns vão sobreviver sem a ação do homem. As que interessam para nós são aquelas com menos representatividade na floresta. Antigamente, só eram olhadas as árvores com finalidade comercial ou as mais simples”, explica.

Assim, dois tipos de reflorestamento estão sendo colocados em prática: o de conservação da mata ciliar (exigida pela legislação) com mudas do IAP e o realizado pela equipe de Iantas. “Há uma diferença do trabalho feito pela Copel e o nosso. A empresa faz plantios em linhas homogêneas. Nós estamos fazendo um plantio diversificado, com várias espécies”, comenta.

Cedrilho

Além da recuperação de árvores que sumiriam, a equipe de Iantas conseguiu um fato inédito: a descoberta da espécie chamada cedrilho, que a população local acreditava ser um cedro. “Quando encontramos, vimos que era diferente e mandamos para um laboratório identificar o nome científico. Descobrimos que ainda não havia registros dessa espécie no Paraná, somente em seis municípios brasileiros”, aponta.

Segundo o engenheiro, o cedrilho foi o primeiro achado em momento fértil. Algumas sementes foram coletadas, mas poucas acabaram aproveitadas para o reflorestamento. “Quase todas as sementes foram danificadas por bichos, antes de caírem. Talvez isso explique a sua raridade”, avalia.

O projeto, desenvolvido na empresa de Iantas (Ambiotech Consultoria) em Guarapuava, é um dos finalistas na categoria flora do Prêmio SuperEcologia 2004, promovido pela revista Superinteressante para iniciativas ambientais. Os vencedores serão conhecidos no final de junho.