Quem passa nas proximidades da Rua Leonel França, no bairro Fanny, sente aquele cheiro gostoso de pipoca. Basta procurar um pouco que vai encontrar a fábrica da famosa Pipoteca, uma das marcas mais conhecidas de Curitiba. No local são produzidas guloseimas doces e salgadas, além de salgadinhos de diferentes sabores. A força da marca na cidade surpreendeu até mesmo Sebastião Anastácio dos Santos, que começou o negócio em uma sociedade em 1978 e depois assumiu a empresa em 1986.

Um negócio que já está na terceira geração e que continua encantando curitibanos de todas as idades. “Muitos adultos vêm aqui e dizem que vão levar pipoca para as crianças. E eu digo que eles estão mentindo. Eles é que vão comer”, conta Sebastião. “Às vezes, a gente não tem noção da força que a marca Pipoteca tem. É um produto que todos têm acesso. Pegou de um jeito que as pessoas chamam o produto de Pipoteca, independente da marca”, comenta Alcione dos Santos, filho de Sebastião e responsável pela área comercial da empresa.

Dos nove filhos do dono, oito trabalham na Pipoteca. Todos os produtos saem da fábrica na Vila Fanny. São cerca de três mil quilos de pipocas e salgadinhos por dia. A Pipoteca salgada com manteiga e a Pipoteca doce são as mais procuradas. Uma equipe de cerca de 50 pessoas – contando os familiares – trabalha sem parar na produção. Das máquinas, não para de sair pipoca. Cada uma tem seu processo de produção. As doces, feitas de canjica, arroz ou macarrão, vão para uma sala especial, onde há 16 canhões. O milho fica esquentando em cada canhão por cerca de 12 minutos, até o funcionário acionar o maquinário para a pipoca estourar. Parece uma chuva de pipoca doce. Toda a produção vai para uma esteira e um túnel, onde é caramelizada e passa por secagem. Depois disto, basta embalar.

Para a Pipoteca salgada, a farinha de milho é colocada em recipientes onde a matéria-prima é cozida e cortada no formato de pipoca. Depois ela recebe a manteiga, até sair pronta para ser empacotada. “Antigamente, tudo era manual. Agora as máquinas embalam o produto separadamente, sem qualquer contato”, salienta Sebastião. A empresa começou bem pequena e foi crescendo conforme o sucesso da marca. Em algumas datas, a procura é tanta que falta Pipoteca, mesmo acelerando a produção.

Inspirado pelas discotecas

Sebastião trabalhava com agricultura antes, em Santa Catarina, e veio para Curitiba convidado para participar da sociedade em uma fábrica de pipoca que já existia. O nome é a mistura de pipoca e discoteca. “Em 1978, tinha a novela Dancin’ Days e era a época das discotecas. As primeiras embalagens eram as imagens de John Travolta e Olivia Newton-John (estrelas do filme Grease). Depois vieram o Pateta e a Minnie. Agora temos o nosso desenho próprio. Mas é por isso que eles aparecem dançando”, revela Alcione dos Santos.

Gerson Klaina
Quando largou a agricultura, Sebastião não imaginava que faria sucesso com pipocas.

Confira o vídeo da fábrica da Pipoteca.