Agora está mais fácil compreender alguns segredos do cérebro. O médico professor Paulo Rogério Mudrovitsch de Bittencourt, PhD em Neurologia pelo Instituto de Neurologia da Universidade de Londres, lança no mês que vem o livro Quando a cabeça dá problema, só os mutantes sobrevivem. Ele é destinado a pessoas leigas, em uma linguagem acessível explica o funcionamento do sistema nervoso central, fala de doenças como o mal de Alzheimer, e principalmente como prevenir e conviver com elas.

Bittencourt explica que o nome do livro sugere uma mudança nos hábitos de vida. Ele diz que é comum as pessoas reclamarem de doenças, mas não param para refletir sobre as causas e tomar uma atitude com relação a isso. “Por isso só os mutantes sobrevivem”, diz. Em um capítulo discute porque algumas pessoas de determinados países vivem mais do que em outros e a relação desse dados com a qualidade de vida.

Além de falar sobre a importância de dar mais atenção a si mesmo, o livro trata de doenças de origem neurológica ou psiquiátrica. As doenças neurológicas clássicas como Alzheimer, epilepsia, esclerose múltipla, Parkinson e isquemias são abordadas. Segundo Bittencourt, o Alzheimer hoje é o fator limitante da vida. “Quando a pessoa se livra do câncer ou de problemas no coração, não escapa dessa”, diz o médico. Ele afirma que 5% da população com 65 anos de idade tem o problema, aos 85 anos o número sobre para 50% e aos 110 anos todas as pessoas têm. No livro, ele explica como a doença se desenvolve. Um dos primeiros sintomas é a perda de memória recente para a realização de atividades diárias, como esquecer que está se vestindo, ir para o supermercado e de repente ser encontrado visitando algum parente ou ainda não achar o banheiro da própria casa. Aos poucos a mente vai sendo desagregada, vai se perdendo a capacidade de falar, de engolir, controlar fezes e urina. Depois de cinco anos, a pessoa fica de cama, onde permanece nessa situação por mais dois ou três anos.

Também há dicas sobre como conviver com a doença e como se prevenir para retardar o aparecimento dela. Segundo o médico, uma boa maneira é estar sempre aprendendo coisas novas. “Outras línguas, se a pessoa joga tênis com a mão direita, pode aprender com a esquerda. Se dança valsa, pode aprender samba. Até mudar o caminho de retorno para casa”, diz. Aliado a isso também está a ingestão de vitamina E e betacaroteno presente nos alimentos. Em idade mais avançada pode-se tomar sob prescrição médica.

Há dicas ainda sobre como gerenciar melhor a vida no dia a dia. É útil para quem tem problemas neurológicos e psiquiátricos como também para qualquer outra pessoa que quer melhorar a sua qualidade de vida. O médico afirma que hoje as pessoas continuam com hábitos pré-históricos. “É errado ir ao supermercado sem uma lista, acordar e não revisar tudo o que vai fazer durante o dia, ou ainda pensar nas compras de natal só no dia 15 de dezembro”, fala.

O livro também descreve e explica como funciona o sistema nervoso central. Para facilitar o entendimento o médico compara o sistema a uma árvore. O leitor ainda pode obter informações sobre testes de memória, linguagem, localização espacial, desenvolvimento da inteligência, distúrbios do sono e dicas para melhorar a performance sexual. Também trata de assuntos que não parecem, mas são de origem mental como fibromialgia, dores de cabeça e dependência química.

Bittencourt se formou em medicina pela Universidade Federal do Paraná em 1976. Desde sua passagem por Londres já publicou mais de 150 artigos científicos, 60% deles no exterior. O médico começou suas atividades corporativas ainda em Londres como membro Britânico da Liga Internacional Contra a Epilepsia, em Curitiba fundou o capítulo da Liga Brasileira de Epilepsia. Entre várias outras atividades, coordenou de 1989 e 1997 a Comissão de Doenças Tropicais da Liga Internacional. Foi professor convidado de universidades na Inglaterra, País de Gales, Ohio e Califórnia. É membro de conselhos editoriais de revistas médicas no Brasil, Colômbia, México, Inglaterra e EUA. O lançamento será no dia 15 de dezembro. Muitos dos textos foram publicados em O Estado. Quem quiser obter mais informações pode acessar o site www.unineuro.com.br.

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