Hoje é o Dia Mundial da Conscientização do Autismo. Porém, as pessoas diagnosticadas com o transtorno, seus pais e os profissionais do ramo não têm muito o que comemorar na data. Isso porque o atendimento aos pacientes autistas, bem como a mobilização para um tratamento adequado e para a atenção necessária à síndrome ainda estão longe do ideal. Quem não tem recursos suficientes para arcar com um tratamento particular depende do sistema público de saúde, que em muitos casos deixa a desejar, ou de instituições que vivem de doações.

Os problemas começam com a dificuldade em identificar o transtorno, fazendo com que um tempo precioso de tratamento seja perdido. A estimativa é que uma entre cada 110 crianças é autista, mas muitas vezes os profissionais não especializados ignoram esta hipótese, mesmo quando os pais percebem que algo está errado. Sem o diagnóstico correto, se vão os três primeiros anos de desenvolvimento das crianças, que são os mais importantes no início do tratamento, com foco na redução das dificuldades e no desenvolvimento das potencialidades dos pacientes.

Os sinais podem ser percebidos desde cedo. Em conjunto, eles significam a necessidade de se procurar psicólogos ou neuropediatras especializados. Os pais precisam ficar atentos com a falta de comunicação de seus filhos ou a demora em começar a falar, pouca interação social e os comportamentos repetitivos. Além disso, as crianças autistas não fazem contato visual, são irritadas ou passivas e não se aconchegam no colo.

Mesmo depois de identificado o autismo, o desafio continua. O tratamento exige atenção intensa, individualizada e multidisciplinar, com foco na comunicação, interação social e comportamentos do paciente, o que dificulta a disponibilidade do sistema público. “É preciso um grande atendimento, o que fica complicado na saúde pública e oneroso para o particular. Precisamos atuar na área da educação e da saúde, mas não temos estrutura adequada”, lamenta a psicóloga Maria Helena Jansen de Mello Keinert.