Foto: Lucimar do Carmo/O Estado

Eles chegaram a Curitiba na última sexta-feira e passam o final de semana reunidos para definir que postura adotarão.

Antes de começarem a participar da 3.ª Reunião das Partes do Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança (MOP3), que começa hoje à noite, pesquisadores públicos de diversos países do mundo se preparam, juntos, para entrar nas reuniões. Organizados na Iniciativa de Pesquisa e Regulamentação Pública (PRRI), eles chegaram a Curitiba na última sexta-feira e passam o final de semana reunidos para definir que postura adotarão, como um grupo, e pelo que cientificamente irão "brigar".

Um dos líderes do PRRI é o cientista belga Piet van der Meer, responsável pela regulamentação da biotecnologia na Holanda. Segundo ele, entre os objetivos gerais do grupo estaria o de trazer um caráter mais científico para negociação sobre o Protocolo de Cartagena, em vigor desde setembro de 2003. "As pesquisas para a organização do protocolo são boas, só faltam alguns ajustes. O que precisa ser discutido é mais o jeito que vai ser implantado nos diferentes países, que não é algo muito científico ainda. Há muitos boatos", esclarece Piet. Para ele, o principal ponto que o grupo pretende mostrar é que os pesquisadores públicos trabalham com pesquisa em laboratórios e em campo, diferente do que foi feito até agora nas pesquisas para o protocolo. "Para a implantação do protocolo eles têm o mesmo procedimento. Não faz sentido porque varia (em cada país e em cada experimento)", explica.

Entre os pesquisadores, representando o Brasil, está Leila Oda, da Associação Nacional de Biossegurança (Anbio). Segundo ela, o objetivo da participação dos cientistas da iniciativa pública seria o de "desenvolver uma biotecnologia consciente, que possa beneficiar as diferentes sociedades do mundo".

Como opinião pessoal sobre as discussões acerca do Protocolo de Cartagena, a cientista adianta que o Brasil está perdendo tempo. "Vejo, nas discussões, que estamos perdendo muito tempo com coisas que não têm muito a ver com o objetivo do protocolo, que é estabelecer mecanismos que venham minimizar os riscos ao meio ambiente e à saúde. Dentro desse objetivo, a nossa preocupação maior é de que se faça uma análise mais criteriosa sobre a segurança dessa tecnologia. As discussões feitas hoje não dizem respeito a uma questão de segurança, mas sim a uma questão comercial, que viria depois das discussões sobre os riscos", explica Leila.

PRRI

Como define Piet, pesquisadores públicos são os que trabalham para o governo, universidades e instituições sem fins lucrativos. Ele explica que até a segunda reunião das partes (MOP2), ocorrida em junho de 2005, em Montreal, no Canadá, esses pesquisadores não haviam participado das negociações do Protocolo de Cartagena, entre outros motivos, por falta de organização. "Individualmente é quase impossível fazer isso. É preciso se organizar. Em 2004, concluímos que era ruim a não-participação, por isso formamos o grupo. Eram sempre os pesquisadores das multinacionais que participavam, o que criou uma concepção errônea de que as pesquisas eram feitas somente por eles. Também é feita pesquisa pública", afirma Piet.

Fazem parte do grupo de pesquisadores de instituições públicas, no campo da biotecnologia moderna, mais de cem mil cientistas de diferentes nacionalidades. Para o evento da Organização das Nações Unidas (ONU) vieram participar 40 pesquisadores.

Noite curitibana reserva diversão para estrangeiros

Roger Pereira

A noite curitibana já está preparada para a enxurrada de estrangeiros que começou a chegar este final de semana para os eventos da Convenção sobre Biodiversidade da Organização das Nações Unidas (ONU)

Não faltará opção para os mais de 6 mil representantes de 188 países que participarão das duas reuniões (MOP 3 – 3.ª Reunião das Partes do Protocolo de Cartagena – e COP 8 – 8.ª Conferência das Partes do Convenção sobre Biodiversidade). Bares, restaurantes e casas noturnas investiram em pessoal, decoração e cardápio para atrair os estrangeiros.

A maior expectativa fica por conta dos bares localizados no bairro Batel, já que todos os hotéis da região estão com suas vagas esgotadas para o período.

O Babilônia Gastronomia e Cia., como já tem um cardápio bilingüe e uma cozinha internacional, não precisou de muitas modificações. O principal investimento foi a contratação de uma professora particular de inglês para instruir os funcionários. "Assim, as aulas podem abranger mais os termos que eles terão mais contato, como pedidos e variações do tipo mal ou bem passado, com ou sem sal, copo com gelo, uísque sem gelo, etc.", explicou a gerente financeira da casa, Carla Jancmionka. "A expectativa é de filas durante os dias de evento, já que o Babilônia fica aberto 24 horas, e está pronto para receber o pessoal da ONU a qualquer momento", disse.

A preocupação com a língua também norteou os trabalhos da Zoe Curitiba. Um material gráfico em inglês e espanhol já foi elaborado e distribuído pelos hotéis. A casa também contratou um intérprete com fluência em inglês e espanhol para atender aos visitantes. A aposta da casa é a programação eclética, que varia do forró ao rock, mas as grandes atrações deverão ser os shows de samba nas quartas-feiras e domingos.

No Botequim, também haverá interpretes. Uma feijoada com samba e pagode especial para os participantes do evento já está programada. No demais, o bar reservou todo o seu piso superior para os participantes do evento e fechou pacotes com os hotéis, para servir todos os petiscos da casa, acompanhados de muito chope. "Nossa intenção é que o pessoal saia da reunião, no final da tarde, e venha direto para cá", revelou o proprietário do bar, Taher Raid.

O Bar do Alemão já conta com um garçom que fala alemão fluentemente, mas também ofereceu treinamento de inglês a seus funcionários. Como a casa já tem há tempos cardápio em inglês e alemão, não precisou de adaptação nesta área. Para atrair fregueses, a campanha foi direcionada aos hotéis e aos guias de bares e restaurantes que circulam pela cidade.

O gerente de marketing do bar, Jorge Tonato, prometeu uma atenção especial à delegação alemã. "Música típica e cardápio com diversas opções da culinária local devem agradar a delegação alemã", lembrou.

Alerta: Tecpar diz que o óleo vegetal não é igual ao biodiesel

A utilização de óleo vegetal diretamente em motores a diesel causa problemas que a maioria das pessoas desconhece, alerta o Instituto Tecnológico do Paraná (Tecpar). Muito usado em máquinas agrícolas devido o baixo custo e a idéia de ser menos agressivo à natureza, os óleos vegetais não podem ser comparados ao biodiesel.

O biodiesel é um óleo vegetal modificado por meio de uma reação química com álcool, e o óleo bruto sem tratamento adequado, ao ser usado, não é totalmente queimado, formando resíduos nos bicos injetores e em outras partes do sistema. "O motor funciona, mas pode apresentar problemas ao longo do período de uso, e seu desempenho pode ficar prejudicado", alerta o gerente de Biocombustíveis do Tecpar, Bill Jorge Costa.

"É uma prática comum em vários estados por ser mais econômica, pois se torna mais barato para o produtor o óleo obtido em sua propriedade do que a compra de diesel nos postos, entretanto a exigência de uma manutenção freqüente torna a prática mais onerosa", completou Costa.

Por isso, os técnicos da Divisão de Biocombustíveis/Centro Brasileiro de Referência em Biocombustíveis recomendam cautela no uso de óleo vegetal até que se tenham dados experimentais suficientes para informar, entre outras coisas, qual deve ser a qualidade do óleo a ser usado como combustível, em que proporção ele pode ser usado em mistura com diesel e quais adaptações são necessárias nos motores. "Consideramos o uso de óleo vegetal como combustível uma prática de grande potencial em nosso País e somos favoráveis a ela, entretanto repetimos que é necessária cautela para substituir diesel, parcial ou totalmente, sem riscos técnicos e financeiros, principalmente para o pequeno agricultor", concluiu Bill. (RP)