Átila Alberti / GPP

Lilian ajudou no embasamento para
a Adin proposta por Fonteles.

Esteve ontem em Curitiba a doutora em biologia molecular, Lilian Piñero Eça. Pesquisadora, ela ajudou no embasamento da ação direta de inconstitucionalidade (Adin) contra a Lei de Biossegurança, feita pelo procurador-geral da República, Claúdio Fonteles. Lilian participou do I Seminário de Ética e Bioética da Uniandrade e defendeu as pesquisas com células-tronco adultas.

Para Lilian, o problema com as pesquisas com células-tronco embrionárias já começa do ponto de vista jurídico. A Constituição assegura que o direito à vida é inviolável. Para ela, ao contrário do que muitos cientistas afirmam, a vida não começa depois de alguns dias de formação, e sim no momento da concepção. Ela lembra ainda o tratado internacional sobre direitos fundamentais de São José, que determina que a vida começa no encontro das células reprodutivas. ?Usar as células-tronco embrionárias é ceifar uma vida sim?, diz.

A pesquisadora também criticou a forma como a mídia vem tratando o caso, passando a imagem do procurador-geral da República como um homem extremamente religioso e sendo o principal motivo que o teria levado a ir contra a Lei de Biossegurança, que libera as pesquisas com células-tronco embrionárias. ?Mas a posição dele tem base científica?, ressalta.

Hoje os cientistas dão destaque às pesquisas com células embrionárias porque acredita-se que tenham um potencial muito maior para formar os diferentes tecidos do corpo humano, já que as células-tronco adultas já passaram pelo processo de diferenciação. Mas Lilian afirma que as adultas têm a mesma capacidade, e o segredo estaria guardado no gene Octo-4. Em um artigo, que escreveu em conjunto com o pesquisador Ives Gandra da Silva Martins, explica que o ?Octo-4 é uma molécula que atua no estágio inicial do embrião, segurando as células para não se diferenciarem antes da hora?. No tempo adequado, o gene se desliga e as células formam, então, os tecidos certos. Com o controle do gene, é possível fazer com que certas células-tronco adultas sejam mantidas nesse estágio sem diferenciação, o que pode expandir seu campo de atuação na pesquisa de novos tratamentos.

Além disso, Lilian explica que as pesquisas com células-tronco adultas estão bem mais avançadas no País e já apresentam uma série de resultados positivos. Elas estão sendo usadas com sucesso para tratar várias doenças como cardiopatias, lupus, nervo periférico, entre outras. ?Vinte e cinco pacientes com cardiopatia e outros 25 que tinham problemas no nervo periférico estão bem?, exemplifica. Ela acha que a cura para doenças complexas como Alzheimer e Parkinson, devem demorar mais umas duas décadas usando células-tronco adultas, ao passo que com a embrionárias devemos esperar pelo menos uns 50 anos. Para ela, não se justifica toda essa comoção para a aprovação dos estudos com células embrionárias no país, uma vez que apresentam vários problemas, ainda não se sabe como evitar que causem câncer, por exemplo. ?É motivada por interesses econômicos?, aponta. Para ela todos as verbas do país devem estar voltadas para as pesquisas com as células-tronco adultas.