O Aqüífero Guarani, que fica sob quatro países (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai), pode não ser a maior reserva subterrânea de água doce do mundo, como é conhecido internacionalmente há muito tempo. Estudioso do aqüífero desde a década de 70, o pesquisador da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Ernani Francisco da Rosa Filho, além disso, coloca em dúvida a qualidade dos cerca de 50 quatrilhões de litros de água disponíveis nessa reserva.

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Em palestra ontem, em Curitiba, onde participou do Encontro da Unidade de Execução do Projeto Aqüífero Guarani, com outros estudiosos, o professor afirmou que o aqüífero possui muita água salobra, que não é qualificada para beber e, em alguns casos, se não for tratada, não pode ser usada nem mesmo para irrigação.

Segundo o professor, testes mostraram que as águas do aqüífero estão armazenadas há algo entre 10 e 50 mil anos. "Se elas têm essa idade, nós estamos minerando a água e não estamos repondo o que está sendo retirado. É uma preocupação que deve ser levada em conta. Tem que haver recarga, sob o risco de se acabar com a reserva dentro de alguns anos", alertou ele.

Representantes de oito estados brasileiros por onde passa o Aqüífero Guarani estiveram reunidos na capital paranaense discutindo maneiras racionais de uso, ações e projetos de proteção da reserva. O encontro é promovido pelo governo paranaense, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente (MMA).

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Segundo o diretor de Projetos e Articulação do Ministério do Meio Ambiente, Julio Thadeu Kettelhut, o governo federal desenvolve diversos programas referentes ao aqüífero nas áreas de saneamento ambiental e recursos hídricos. Muitos estudos detalhados vêm sendo realizados sobre a riqueza que se encontra sob o solo dos quatro países da América do Sul.

Alguns projetos são desenvolvidos em conjunto pelos países detentores da reserva de água subterrânea, e que integram a totalidade do aqüífero. O encontro em Curitiba durou dois dias e foi encerrado ontem. Outras reuniões a respeito do Aqüífero Guarani devem acontecer em outras capitais ainda nesse ano. (ABr)

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