Os estados do Sul do Brasil estão bem no que se refere à segurança alimentar da população quando comparados, por exemplo, com estados das regiões Norte e Nordeste.

Porém, se comparado a Santa Catarina e Rio Grande do Sul, o Paraná é o que tem menor percentual de domicílios com acesso garantido à quantidade e qualidade de alimentos a seus moradores.

A informação é de um levantamento suplementar da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2009 sobre segurança alimentar, desenvolvido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS).

A pesquisa registrou 58,6 milhões de domicílios particulares no Brasil em 2009, nos quais moravam 126,2 milhões de pessoas, o equivalente a 65,8% dos moradores em domicílios particulares do País.

Destes, 69,8% (40,9 milhões) estavam em situação de segurança alimentar. Os 17,7 milhões de domicílios particulares restantes (30,2%) se encontravam em algum grau de insegurança alimentar.

“Em 2004, essa prevalência era maior: 34,9% dos domicílios particulares registraram alguma restrição alimentar ou, pelo menos, preocupação com a possibilidade de ocorrer alguma restrição devido à falta de recursos para adquirir mais alimentos”, informa o levantamento.

Estado

No Paraná, a Pnad registrou informações de 7.605 unidades domiciliares (3.042 na Região Metropolitana de Curitiba), compostas por 19.883 moradores. Foi constatado que 79,6% dos domicílios tinham garantido o direito de acesso à segurança alimentar.

Enquanto isso, em Santa Catarina, o acesso se dá a 85,2% dos domicílios pesquisados, o que representa o melhor índice de todo território nacional. No Rio Grande do Sul, o direito é garantido a 80,8% dos domicílios.

Apesar de estar um pouco abaixo dos demais estados do Sul, o Paraná teve suas condições melhoradas se comparados com os dados coletados pelo IBGE em 2004. Há seis anos, a segurança alimentar era garantida a pouco mais de 70% dos domicílios então consultados.

“O avanço não foi tão grande quanto o esperado, mas já foi um avanço”, comenta o coordenador técnico da Pnad do IBGE no Paraná, Estevão Generoso. Segundo ele, isso se deve ao fato de, no Estado, haver várias ações municipais e estaduais de combate à fome. “Além disso, no Sul do País, os índices culturais e educacionais são melhores, o que se reflete na alimentação, assim como o fato de a agricultura ser bastante desenvolvida”, diz.

Direito

O professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e coordenador de estudos e pesquisas em história e cultura da alimentação, Carlos Roberto Antunes dos Santos, lembra que, em fevereiro deste ano, foi promulgado um artigo da Constituição Federal que institui a alimentação como direito social.

“Com isso, as políticas públicas relacionadas à segurança alimentar e nutricional devem ter continuidade e passar por processo de expansão. Elas também não devem ser desvinculadas da luta de acesso aos demais direitos”, afirma.