Entre os 5.779 estabelecimentos de saúde paranaenses, apenas 76 tem unidades de terapia intensiva (UTIs) disponíveis para pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). Nos hospitais públicos estaduais, não há serviço de radioterapia e ressonância magnética.

Ao longo dos anos, foram desativados 175 hospitais, e extintos outros 84. Apenas dois de todos os hospitais públicos paranaenses atendem proctologia, três atendem medicina do trabalho e genética, e quatro atendem medicina preventiva e social, homeopatia e hematologia.

Dos 164 estabelecimentos públicos de saúde que têm leitos de internação, apenas quatro têm capacidade para cirurgias de alta complexidade como transplantes e cirurgias cardíacas, e apenas três têm estrutura para tratamento de quimioterapia.

São 2.809 estabelecimentos de saúde públicos sem internação, dos quais nenhum tem equipamentos para hemodiálise, apenas dois têm o videolaparoscópio e três têm tomógrafo.

Os números alarmantes fazem parte da Pesquisa de Assistência Médico-Sanitária (AMS), divulgada na manhã de ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e foram contestados pela Secretaria Estadual de Saúde.

Segundo o superintendente de Sistemas de Gestão de Saúde, Irvando Carula, os dados não correspondem ao que consta no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES). No caso dos leitos, por exemplo, a pesquisa aponta que o Paraná possui 26.793, mas o CNES registrou mais de 29 mil.

O levantamento do IBGE informa que foram perdidos 11.214 leitos de hospitais de 2005 a 2009, 398 apenas na região Sul, que possui uma média de 2,6 leitos a cada mil habitantes. Disponíveis para o SUS, a taxa cai para 1,9.

O superintendente garante que a forma de gestão dos hospitais públicos gera dúvidas na hora de classificar um hospital como público ou privado. “O Hospital do Trabalhador, por exemplo, é do Estado, mas tem parceria com o município de Curitiba e a Universidade Federal [do Paraná]. É mantido por uma fundação, portanto, tem CNPJ privado, mas sequer atende convênio, só SUS. A situação é a mesma no Hospital de Paranaguá e no infantil de Campo Largo, por exemplo”, explica.

Situação melhorou

A pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apresenta levantamentos feitos em 2009. De acordo com Irvando Carula, da Secretaria Estadual de Saúde, em muitas áreas a situação melhorou em 2010. “Recredenciamos e ampliamos, a partir de dezembro do ano passado, os locais que prestam serviço de radioterapia.

A oncologia é disponibilizada agora em 22 hospitais, em quase todas as regiões do Estado”, ressalta. De acordo com o levantamento do IBGE, no ano passado, eram apenas 10 hospitais privados que tinham equipamentos de radioterapia para uso de pacientes do SUS.

Os leitos de UTI, que não chegavam a 800 em 2002, hoje passam de 1,4 mil. “O Estado investiu muito em equipamento. Só nos hospitais inaugurados recentemente foram abertos novos 150 leitos”, revela Carula.