A primeira pesquisa do Ministério das Cidades sobre resíduos sólidos do País revelou uma realidade preocupante. Nas cidades mais desenvolvidas, cada brasileiro produz por dia cerca de setecentas gramas de lixo sólido. No entanto, boa parte não recebe o tratamento adequado. Nos 108 municípios estudados, onde vivem 32% da população brasileira, existem apenas 32 aterros sanitários. O Diagnóstico da Gestão e Manejo dos Resíduos Sólidos Urbanos foi feito no primeiro semestre de 2004 com dados referentes a 2002, e vai servir para que o governo adote políticas públicas para resolver o problema.

Para o coordenador do Programa de Modernização do Setor de Saneamento, Ernani Ciríaco Miranda, a situação preocupa já que muitas cidades ainda não possuem um local adequado para depositar os resíduos. Quem sai perdendo é o meio ambiente. Em um lixão não há o controle do tipo de material que é depositado. Vão para lá, desde resíduos industriais, até hospitalares. Desse modo, não é feito o tratamento adequado do chorume, líquido que resulta da decomposição dos materiais.

Os resíduos também produzem gases tóxicos. Nos aterros, é feita a queima do material e o procedimento reduz em 19% as agressões que provocam à camada de ozônio. Os locais onde não são feitos os tratamentos viram verdadeiras bombas. Se cair um raio, há risco de explosão. Outro grave problema é que não existe impermeabilização do solo e o chorume acaba atingindo os lençóis freáticos.

Nos aterros sanitários o lixo é enterrado, enquanto no lixão fica a céu aberto. Isso faz com que catadores passem o dia no meio dos entulhos a procura de materiais para vender. Muitos são crianças e estão sujeitos a sofrer algum acidente e a pegar uma série de doenças.

Por outro lado, o estudo revelou que a coleta de resíduos sólidos atinge 90% das cidades estudadas. "O grande problema mesmo está no acondicionamento do lixo", fala Ernani. No entanto, a coleta seletiva ainda não é uma realidade em pelo menos a metade das cidades estudadas. A reciclagem do material poderia dar mais tempo de vida útil aos aterros e também diminuiria a quantidade de matérias-primas retiradas da natureza, poupando o meio ambiente.

Mas a pesquisa traz um dado positivo: embora a coleta seletiva ainda fique a desejar, nos últimos anos aumentou o número de cidades e pessoas que aderiram ao processo. Em 2000 apenas 8% do lixo doméstico era reciclado.

Ernani comenta que os dados vão servir de base para que o governo implante políticas públicas nesta área e a divulgação dos dados ajuda a população a compreender a extensão do problema.

Curitiba

Segundo o gerente de coleta e disposição final do Departamento de Limpeza Pública da Prefeitura de Curitiba, Luiz Celso Colelho da Silva, o aterro sanitário da Caximba é considerado um dos melhores do Brasil. Ele atende a capital e 14 cidades da Região Metropolitana. Por dia são depositados 2,4 toneladas de material.

O tempo estimado de vida útil do aterro é de três anos e meio. Mas Luiz Celso fala que isto poderia ser ampliado se a população separasse o lixo doméstico. Segundo ele, de todo os resíduos produzidos cerca de 35% poderiam ser reciclados. A capital atinge a marca dos 20%, a maior do País. "A coleta seletiva atinge toda a cidade, o problema é a conscientização da população. Podemos melhorar ainda mais o índice", fala Luiz Celso. Alguma cidades da Grande Curitiba também não possuem projetos de coleta seletivo.