Chuniti Kawamura / GPP
Chuniti Kawamura / GPP

Ventos e chuva fortes podem
acabar causando tragédias.

A construção de casas, de forma precária, em locais como barrancos, morros, fundos de vale e margens de rios, pode resultar em uma combinação perigosa. São inevitáveis os riscos de deslizamentos e enchentes nessas áreas em dias de chuvas fortes e prolongadas, como as que ocorreram no início desta semana.

Vários locais na Região Metropolitana de Curitiba apresentam essa situação, principalmente áreas irregulares. Casas frágeis, de madeira e outros materiais alternativos para construção, são erguidas em barrancos, não oferecendo a segurança necessária para seus moradores. Outras estão a uma distância muito pequena das águas de rios. Com uma chuva forte, uma inundação não fica descartada.

A dona de casa Auzira Ferreira Martins, que mora há três anos na Vila Três Pinheiros, no bairro Butiatuvinha, em Curitiba, fica muito preocupada em dias de chuvas e ventos mais fortes. A casa dela foi construída em um nível superior à rua e fica ao lado de um barranco. "É um barranco alto. Basta uma chuva mais forte para ficar apreensiva. Mas tem que conviver porque não tem para onde ir", afirma Auzira, que mora em uma casa de madeira com outras sete pessoas.

A casa do pedreiro Vanderlei Lima de Paula, que também mora na Vila Três Pinheiros, fica em uma superfície plana, mas atrás dela existem pelo menos cinco construções de madeira cravadas em um morro. Ele conta que já houve deslizamentos no local. "Já aconteceu algumas vezes. Há preocupação, mas é bem menor do que antigamente, quando a infra-estrutura aqui era pior, com valetas abertas", diz.

Para o 1.º vice-presidente do Instituto de Engenharia do Paraná, José Alfredo Brenner, sempre existe risco de desabamentos nessas áreas. Ele informa que a legislação atual impede a construção em locais com declives maiores do que 45º. Além disso, a retirada da vegetação dos morros e barrancos faz com que haja uma permeabilidade maior da água da chuva. "O solo sofre com todo tipo de alteração climática, se desagregando facilmente. A vegetação mais antiga, com raízes profundas, colabora na fixação", comenta.

Sendo composta por basalto e granito, o solo da região de Curitiba não apresenta tantos problemas quanto em áreas com terra mais arenosa, segundo Brenner. "Aqui temos certa sorte. O tipo de solo causa menos erosão. O Rio de Janeiro, por exemplo, tem problemas com solos arenosos, onde há uma facilidade maior de desagregação", afirma.

O diretor do departamento de controle de edificações da Secretaria Municipal de Urbanismo, Reginaldo Cordeiro, explica que os riscos de desmoronamentos podem aumentar dependendo de como a casa foi construída. Em áreas irregulares, é comum encontrar residências sem a fundação adequada. "Os riscos são baseados em um conjunto de irregularidades, entre elas a retirada da vegetação e a má utilização de materiais para a construção", avalia.