Perigo: agressividade no volante

Quem já não foi alvo da fúria de um motorista durante o trânsito? São buzinas, sinais com farol alto, xingamentos e até mesmo gestos obscenos. Uma pesquisa realizada em sete capitais brasileiras, entre elas Curitiba, aponta que 52% dos motoristas já receberam farol alto e 45% escutam buzinadas com freqüência. No entanto, poucos admitem que realizam atos deste tipo enquanto estão dirigindo: 87% negam o uso do farol alto, e 81% alegam dispensar as buzinas.

O levantamento aponta que 30% dos entrevistados já foram insultados ou se tornaram vítimas de gestos obscenos. Mas 91% das pessoas consultadas negam ter este tipo de comportamento. Quanto às agressões físicas ou ameaças com armas de fogo, 4% comentam ter passado por esta situação. Entretanto, ninguém admitiu ter feito isto. A maior parte dos casos de agressividade (46%) acontece no caminho de casa para o trabalho, ou vice-versa, e 39% ocorre em trajetos curtos e de passeio.

?A agressividade acontece porque os motoristas carregam seus problemas para o trânsito. Mas eles têm vergonha de admitir que possuem essa postura. Os resultados não surpreenderam. Fizemos o mesmo estudo em outros países e a constatação também foi essa?, afirma Manuel Lopes, diretor geral da Synovate, empresa especializada em marketing que aplicou a pesquisa no País. Ela foi realizada entre julho de 2004 e julho de 2005, e entrevistou 550 motoristas em São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Fortaleza, Salvador, Porto Alegre e Curitiba.

Para a psicóloga Neuza Corassa, falta consciência aos motoristas. Muitas pessoas levam seus valores privados para um espaço coletivo e se comportam  como se estivessem em casa. ?Dirigem vendo que o outro é quem está incomodando. O outro motorista é visto como inimigo. As pessoas não têm consciência de que o trânsito é formado por blocos e é necessário ser solidário a isso. Acreditam que as coisas devem acontecer da forma que querem?, comenta. Ela explica que os motoristas podem até ser bons tecnicamente, mas falta a percepção emocional quando dirigem.

Entretanto, Neuza diz que o comportamento no trânsito está mudando, pois os motoristas estão se informando mais sobre o assunto. A diminuição das buzinadas, por exemplo, já é uma realidade em Curitiba, de acordo com ela. ?Mesmo com o aumento dos congestionamentos, se verifica menos gente buzinando. Ainda estamos aprendendo a lidar com a grande quantidade de carros nas ruas da cidade. Nem os pedestres, nem os motoristas, nem a cidade estavam preparados?, conta Neuza.

A psicóloga revela que o próximo passo para acabar com a agressividade seria colocar mais gentileza no trânsito, como dar a vez na fila ou a oportunidade do carro sair da garagem no meio do engarrafamento. ?Os motoristas devem compreender que o horário gasto no trânsito deve ser contabilizado. Se programar ou sair mais cedo de casa, gera menos estresse?, esclarece Neuza.

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