Um negócio familiar, aliado ao bom preço e atendimento diferenciado, tem sido o grande trunfo dos pequenos e médios supermercados que se mantêm em Curitiba. As grandes redes que se instalaram na capital nos últimos cinco anos causaram um impacto no setor. Porém, as vendas já começam a indicar uma recuperação.
De acordo com dados da Associação Paranaense de Supermercados (Apras), em 2001, cinco grandes redes de supermercados – Pão de Açúcar, Carrefour, Bom Preço, Sonae e Cendas – respondiam por 41% das vendas na cidade. No ano passado, esse índice caiu para 39% das vendas. Para o superintende da Apras, Walmor Rovaris, essa queda pode ter sido influenciada pela participação das pequenas redes.
No dia 5 de maio de 1955, o empresário Estanislau Kusma inaugurou a primeira loja. Hoje, com sete dos oito filhos e quatro dos 22 netos, ele comanda uma rede de nove supermercados na cidade – dos quais, dois foram inaugurados no ano passado. O segredo para se manter no ramo, afirma, é a proximidade com o cliente. “Quando o cliente conhece o dono e se identifica com a questão familiar, acaba sendo um diferencial”, considera.
O empresário afirmou que a abertura das grandes redes teve impacto nas vendas, mas só no início, pois hoje ele garante que consegue manter uma média de crescimento em torno de 2% ao mês. “Quanto mais supermercados abrem, menor a rentabilidade. Mas nós vamos levando”, comentou. O neto do empresário, Marlos Kusma, acha que a localização – todas as lojas estão na periferia – e as formas de negociação – cheque pré-datado e ticket alimentação – facilitam para o consumidor, que acaba se tornando cliente cativo. “Isso acaba sendo um filão de mercado.”
Para o empresário Rodolfo Pankratz, da rede Jacomar, o segredo para se manter no setor há 40 anos tem sido os preços competitivos. Ele garante que isso é possível pela negociação com os fornecedores. “Quando abre um grande supermercado, o consumidor vai atrás das ofertas e novidades, mas acaba voltando para os pequenos, que mantêm os melhores preços”, afirma. O perfil do consumidor da rede, diz o empresário, é o público C e D e que faz compras diárias.
Ofertas
A dona de casa Maria Inês Blascowski afirma “correr” atrás das ofertas, e confirma que na maioria das vezes é no supermercado do bairro que encontra os melhores preços: “Às vezes, a diferença chega a até 50%”. Entre os itens em que já confirmou essa diferença estão palitos de fósforo e cera. Outra vantagem citada por Maria Inês é que nos estabelecimentos menores é possível encontrar marcas que não são vendidas em grandes redes.
O médico veterinário Hélio Bernert também confessa sua preferência pelos pequenos supermercados. O preço é sempre o diferencial: “Vários itens, como material de limpeza, enlatados e cesta básica são visivelmente mais baratos”.


