Valquir Aureliano / O Estado
Fernando mostra lâmpada de sódio usada na UFPR.

Deixar a torneira da pia aberta, lavar a calçada com mangueira, sair da sala sem apagar a luz, usar o ferro de passar várias vezes na semana. Essas são pequenas atitudes do dia-a-dia que causam um enorme desperdício, prejudicando a natureza e o bolso também. Economizar água e luz virou um dever dentro de casa.

O professor do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Fernando Augusto Lopes Correia, comenta que a redução no consumo de luz traz benefícios para o orçamento da residência e também contribui para o crescimento do País. “A oferta barata de energia favorece o crescimento econômico. Economizando nas casas, sobra para a indústria”, explica.

As dicas para economizar em casa são simples, como apagar as luzes nos ambientes sem pessoas, tomar banhos menos demorados, passar roupa apenas uma vez por semana, evitar abrir a geladeira várias vezes, usar lâmpadas fluorescentes compactas em locais com grande utilização de energia. O professor faz um alerta: os grandes devoradores de luz são aqueles equipamentos relacionados com o aquecimento (ferro, secadora de roupa, secador de cabelo, forno elétrica e chuveiro, por exemplo).

Para o consumidor avaliar quando e onde pode reduzir o consumo, Correia ensina a fórmula da energia. Ela é resultante do produto entre potência e tempo. Se a intenção é diminuir a energia, basta diminuir a potência, o tempo ou ambos. Um exemplo é a troca de luminárias e lâmpadas. Colocando lâmpadas mais eficientes, com menor potência, consegue-se uma redução com o mesmo tempo de uso.

Essa atitude foi a base de um projeto desenvolvido há um mês na UFPR, ligado ao programa Procel, da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). As 240 luminárias da biblioteca do Centro Politécnico que utilizavam, cada uma, quatro lâmpadas de 40 watts, foram trocadas por luminárias compostas por duas de 32 watts. “A redução foi de 60% do consumo no mesmo período de tempo”, comenta Correia. A troca também foi realizada nas luminárias da parte externa dos prédios do campus. As 310 com lâmpadas de vapor de mercúrio com 250 watts foram substituídas por lâmpadas de vapor de sódio com 70 watts de potência, o que gerou uma economia de 72% e um aumento da incidência luminosa em 90%. “Neste caso, nós ainda conseguimos aumentar o conforto”, destaca o professor. Somente nesses locais, a universidade deixará de gastar R$ 74 mil por ano. O investimento na biblioteca foi de R$ 27 mil e o total, R$ 240 mil. O mesmo procedimento será expandido para outros prédios do Politécnico até agosto.

Outro projeto, posto em prática em 2002 dentro da própria universidade, foi a instalação de sensores de iluminação próximos às janelas das salas. Se houver a incidência de luz solar suficiente nesta área, mesmo que a pessoa aperte o interruptor, a luz não vai acender. A economia, neste caso, foi de um terço do gasto anterior.

Água

Em média, uma pessoa gasta por dia entre 130 e 150 litros de água com um bom nível de conforto, sem privações. Mas a maioria da população usa bem mais do que isso. Para reduzir o consumo de água, as dicas também são simples: não deixar a torneira aberta enquanto escova os dentes ou lava o rosto; banhos rápidos; antes de lavar a calçada, passar uma vassoura; não exagerar ao regar as plantas; prestar atenção em pequenos vazamentos, como a torneira pingando, descarga desregulada, caixa d’água com bóia que não funciona; evitar lavar o carro com bastante freqüência, usando o balde em vez da mangueira. “Não há uma regra de quanto uma pessoa deve usar de água, mas ela precisa ter bom senso e conscientização ambiental, lembrando da diferença que se pode fazer para o planeta”, observa o professor do Departamento de Engenharia Hidráulica e Saneamento da UFPR Ary Haro.

Ele aconselha que, nos prédios e condomínios, as pessoas façam diariamente a leitura do hidrômetro, situado na entrada do edifício. “Isso é importante para detectar vazamentos. Senão, percebe-se apenas na conta no final do mês”, aponta. Haro explica que nas residências, uma das saídas para a economia é verificar a condição de algumas peças internas do vaso sanitário que garantem a vedação. A substituição é fácil, com pequeno custo e deve ser feita periodicamente. “Na minha casa, somente com essa medida, economizei 30% do consumo em um ano”, conta o professor.