Passarela do medo

Passarela na BR-116 vira esconderijo para usuários

A passarela de pedestres da BR-116 que fica próxima ao viaduto da Avenida Victor Ferreira do Amaral, no Tarumã, tem gerado revolta e medo nos moradores e trabalhadores da região. A estrutura está em estado de abandono, com todas suas paredes pichadas e depredadas. Além disso, o local se tornou mocó e está tomado pelo lixo. Ao longo da passagem, é possível encontrar garrafas de cervejas quebradas e bitucas de cigarro. Além disso, o odor de urina é sentido em todos os pontos da passarela.

O auxiliar administrativo Nelson Cordeiro mora no Capão da Imbuia e trabalha num restaurante no bairro. Para ir e voltar do trabalho a pé, é obrigado a passar pela passarela diariamente. Quando trabalha até mais tarde, prefere tomar o ônibus a ter que passar pela passagem elevada da BR-116. “Não tem como passar aqui à noite. Além de não ter iluminação alguma, é muito perigoso, pois é um lugar isolado e está cheio de usuário de droga. A gente nunca sabe do que esse povo é capaz. Então, pego o ônibus, apesar de morar perto”, diz.

Complicação

Nelson ainda conta que as más condições da passarela também afastaram os frequentadores da Praça Cova da Iria, ao lado da passagem. “Aqui tem estrutura bacana, com canchas e brinquedos pra crianças, mas com essa situação da passarela, a praça quase não tem movimento. Todos ficam com medo”, relata.

O carpinteiro Julio Evaristo também trabalha na região e afirma que sempre sente receio quando tem que passar pelo local. “Se você reparar bem, é o único acesso da região para fazer a travessia segura da BR-116 e, por isso, muita gente se vê obrigada a passar por aqui, inclusive eu. Mas é complicado. Sempre fico alerta”, comenta.

Construção fora do orçamento

O carpinteiro Júlio Evaristo também revela que os moradores de rua que vivem no local têm causado transtornos a quem passa pela passarela. “Já vi muitas vizinhas minhas reclamando que os mendigos mexem com elas, falam palavrões e, com isso, passam medo. Muitas delas já nem passam por aqui durante o dia. À noite nem pensar. A situação está bem complicada. Tomara que essas obras mudem um pouco a cara dessa passarela, que está destruída e mal frequentada”, reclama.

Segundo a Secretaria Municipal de Obras, no orçamento da Linha Verde não há previsão da construção de nova passarela. A atual, portanto, será mantida. Porém, a pasta informou que vai avaliar a possibilidade de manutenção para melhorar as condições da passarela.

Marco André Lima
Evaristo conta que situação é complicada. Reclamação é geral.
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