O usuário do transporte coletivo de Curitiba e região poderá ter voz na negociação salarial deste ano dos trabalhadores do sistema. O pontapé inicial foi dado ontem, com a Urbs, gestora do sistema, mediando a reunião entre o sindicato patronal e os dois sindicatos de trabalhadores que participam da negociação. Em ofício, a Urbs solicitou que o Ministério Público do Paraná, por meio da Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor de Curitiba, represente o usuário do sistema caso a negociação termine em dissídio.

O presidente da Urbs, Roberto Gregório da Silva Júnior, considerou de grande valia a mediação nas negociações. “A Urbs não pode se posicionar, mas a parte dos 2,3 milhões de usuários deve ser levada em conta ou ao menos acompanhar esse processo de forma transparente, já que é diretamente afetada”, defende. Para ele, há pontos a serem questionados, como a diferença de reajustes entre os dois sindicatos.

Enquanto o Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Sindimoc) defende 30% de aumento salarial, o Sindicato dos Empregados em Escritórios e Manutenção nas Empresas de Transporte de Passageiros de Curitiba e Região Metropolitana (Sindeesmat ) reivindica 15%. “Creio que pelo usuário, qualquer valor acima da inflação do período precisa ser avaliado pela Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor”, sinaliza o presidente da Urbs.

Taxa assistencial

Outro ponto questionado na reunião foi a taxa assistencial no valor de R$ 400 mil recolhida pelos sindicatos dos trabalhadores, via empresas de transporte. “É um dinheiro que poderia ir direto para o bolso dos trabalhadores, mas os sindicatos preferem administrar a verba”, aponta Gregório. Em nota, o Sindimoc classificou que a reunião, que também contou com a participação da Comec, não teve avanços e nova rodada deve ser marcada na semana que vem.