Paranaenses entre as vítimas do vôo JJ 3054

Ao menos três paranaenses e um gaúcho que residia em Londrina há oito anos estavam no vôo JJ 3054 da TAM que caiu na terça-feira, em São Paulo. O empresário Heurico Tomita, o executivo Roberto Weiss Junior e a estudante de Direito Soraya Charara eram naturais do Estado.

Weiss Junior era curitibano, de 38 anos, casado e tinha duas filhas de 9 e 13 anos. Ele era diretor de operações de uma concessionária da Volvo, em Canoas, Região Metropolitana de Porto Alegre, desde julho de 2003. Weiss Junior estava indo para São Paulo para uma convenção de vendas da empresa. Segundo a Volvo do Brasil, a família está em estado de choque e não foi localizada pela reportagem.

Tomita morava em Maringá, no noroeste do estado. Tinha 51 anos, era engenheiro e diretor da empresa Consolit Engenharia. Segundo um dos irmãos, que não quis dar entrevistas, a família ainda não acredita na notícia da morte do empresário.

Outro irmão e a mulher de Tomita viajaram para São Paulo para acompanhar a situação. A empresa Consolit Engenharia tem uma filial na cidade de Cachoeira do Sul, no Rio Grande do Sul, para onde Tomita viajava com freqüência para acompanhar obras da empresa. O engenheiro voltava de lá para São Paulo, de onde pegaria um vôo para o Paraná. ?Foi uma perda inesperada e que fará muita falta. Era um líder para nós?, disse Carlos Walter Martins Pedro, presidente do Sindicato das Insdústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Maringá, da qual Tomita foi o primeiro presidente e um dos fundadores.

Já o auditor contábil Luis Antônio Lima da Luz nasceu em Cruz Alta (RS), tinha 60 anos, e teria viajado para resolver problemas particulares em Porto Alegre. Ela trabalhava na financeira Unicred. A esposa da vítima, Isa Lima, embarcou ontem para São Paulo, para o reconhecimento do corpo.

Outra curitibana que morava fora do estado era Soraya Charara, de 42 anos. Ela residia há 30 anos em Porto Alegre com o marido, três filhos eudas netas. Soraya embarcou no vôo JJ 3054 com outras duas colegas para organizar e coordenar o Seminário Jurídico do Instituto de Estudos dos Direitos do Contribuinte (IDEC), que estava previsto para começar ontem em São Paulo e Minas Gerais, mas foi cancelado por causa da tragédia. Ninguém da família da curitibana embarcou para São Paulo para fazer o reconhecimento do corpo. O escritório de advocacia mandou representantes que estão cuidando de todos os detalhes.

Por pouco

Um grupo de passageiros que não conseguiu pegar o vôo JJ 3054 acabou passando à noite em Curitiba e seguiu ontem, por volta das 10h40, para São Paulo em um avião da Gol. Como o vôo JJ 3054 estava lotado e algumas pessoas estavam em lista de espera, o grupo embarcou em outra aeronave para Congonhas no vôo JJ 3060. Quando o aeroporto fechou, o avião desceu em Curitiba, e só então os passageiros perceberam a sorte que tiveram.

Tragédia traz lembranças

Diogo Dreyer

Rosane Gutjhar é esposa do curitibano Rolf Gutjhar, que estava no avião da Gol que, há cerca de dez meses protagonizou a maior tragédia que a aviação brasileira tinha visto até então. ?O caso da Gol foi assassinato e o da TAM foi acidente?, sustenta Rosane, dizendo que não há como se comparar os dois acidentes. Para ela, a única similaridade entre os dois casos é a dor das famílias.

Ela acrescenta que é lamentável mais um acidente como esse num espaço tão curto de tempo. ?Só posso dizer que, nós, familiares das vítimas do vôo Gol 1907, nos solidarizamos com os familiares da tragédia em Congonhas. É muito triste relembrar toda a angústia que passamos.? Rosane conta ainda que muitas das famílias das vítimas do caso da Gol ainda buscam indenizações na Justiça.

Angelita de Marchi, presidente da Associação de Familiares e Amigos das Vítimas do Vôo Gol 1907, comenta que esse é o momento de ter esperança de que essa nova tragédia faça com que a Justiça se porte com respeito e dignidade diante da população.

O deputado federal Gustavo Fruet também manifestou solidariedade às famílias das vítimas do acidente com o avião da TAM. Ele lamentou a perda do companheiro de partido Júlio Redecker, deputado federal pelo Rio Grande do Sul e líder da minoria na Câmara dos Deputados. ?É um momento de consternação e tristeza. Precisamos aguardar as investigações e assegurar que sejam tomadas providências?, afirmou.

Atrasos no Afonso Pena

O quadro no Aeroporto Afonso Pena ontem era de atrasos de até três horas, grandes filas nos guichês das companhias durante toda a manhã, e um clima pesado de consternação. Tanto que nem mesmo a grande quantidade de atrasos e cancelamentos causou revolta na maioria dos passageiros, como já é de praxe na atual crise aérea.

Devido principalmente ao acidente em Congonhas e ao mau tempo registrado pela manhã, segundo a Infraero, dos 114 vôos programados para decolar e pousar ontem no Afonso Pena, 22 foram cancelados e 50 tiveram atrasos superiores a 60 minutos.

Tumulto

Passageiros do vôo 3760, da TAM, que se dirigia de São Paulo para Campo Grande (MS), com conexão em Londrina, precisaram ser remanejados para outra aeronave, ontem pela manhã, em razão da acusação de que uma pessoa estaria utilizando o telefone celular e se recusara a desligá-lo. Levado à delegacia da Polícia Federal, o passageiro argumentou que se tratava de um palm-top e que ele estava apenas jogando. ?Foi um mal-entendido, não se configurando crime?, disse o delegado Joel Ciccotti.

O passageiro teria sido avisado pela comissária para desligá-lo, mas não o teria feito. Por isso, a comissária avisou o comandante, que pediu, pelo alto-falante, que ele o fizesse. ?Aí as pessoas que estavam próximas dele se exaltaram e começaram a pedir que desligasse, e teve um início de tumulto?, afirmou o delegado. ?Mas isso é conseqüência de que está todo mundo tenso com essa situação toda.?

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