Moradora de São José dos Pinhais, Andressa Fátima Reinaldi Banach, de 38 anos, é a primeira paciente do Paraná a receber um ‘coração artificial’ pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A cirurgia de implante do dispositivo HeartMate 3 foi realizada no dia 12 de maio no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, com articulação da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). A paciente recebeu alta do Hospital do Rocio no dia 29 de maio.

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Andressa sofria de insuficiência cardíaca grave com dilatação progressiva do ventrículo esquerdo, que perdeu a capacidade de bombear sangue. Ela tinha contraindicação para transplante cardíaco tradicional devido ao alto grau de sensibilização prévia, ocorrido durante gestações anteriores, com incompatibilidade de 99% dos potenciais doadores. O implante do coração artificial era a única alternativa terapêutica viável.

O HeartMate 3, também conhecido como coração artificial, é um dispositivo de assistência ventricular esquerda que funciona como bomba, fazendo a função do ventrículo comprometido. Usa tecnologia de levitação magnética, com rotor suspenso sem rolamentos mecânicos, reduzindo riscos de formação de coágulos. Pode ser alimentado por fonte de energia fixa ou baterias portáteis. O implante do dispositivo foi incorporado ao SUS em dezembro de 2024, após recomendação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec).

No Brasil, a insuficiência cardíaca afeta cerca de 2 milhões de pessoas, com 240 mil novos casos por ano, sendo a principal causa de internações cardiovasculares no sistema público.

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A Sesa coordenou a articulação entre hospitais de referência no Paraná e o centro especializado em São Paulo, garantindo logística de Tratamento Fora de Domicílio (TFD) e transporte em UTI aérea.

Risco e solução

Em agosto de 2024, Andressa deu entrada no Hospital Angelina Caron, em Campina Grande do Sul, após complicações na gestação do quinto filho. Depois do parto, ficou extremamente debilitada, sem condições de cuidar do recém-nascido. “Fiquei 14 dias na UTI, fui para casa, mas não conseguia pegar ele no colo, não conseguia fazer nada”, contou à Agência Estadual de Notícias (AEN).

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Ela foi encaminhada ao Hospital do Rocio, em Campo Largo, em fevereiro do ano passado, para acompanhamento cardiológico especializado. Aline Möckel, coordenadora da Secretaria de Transplantes do hospital, explica que a paciente tinha painel imunológico de 99%, contraindicação total para transplante. “É como se ela criasse anticorpos contra todas as outras pessoas. Se transplantássemos, ela teria rejeição imediata ao órgão”, detalhou.

Andressa foi tratada com medicações, mas a doença se tornou refratária, ou seja, parou de responder ao tratamento. “Nesse contexto surgiu a possibilidade do HeartMate 3 como terapia avançada“, afirmou a cardiologista Aline Carbonera. Após a cirurgia em São Paulo, a equipe recebeu Andressa no aeroporto do Bacacheri pelo serviço aeromédico da Sesa, seguindo para novo internamento no Hospital do Rocio.

Acompanhamento e tecnologia

A equipe do Hospital do Rocio passou por capacitação intensiva antes da cirurgia. Três médicos e uma enfermeira foram a São Paulo para se habituar com o manejo da paciente. Segundo o diretor-técnico Kengi Itinose, o hospital faz transplantes cardíacos desde 2015, mas o dispositivo artificial exigiu preparação específica. “Existe um plano para que possamos ser um dos locais de referência para esse tipo de procedimento”, afirmou.

Andressa terá acompanhamento rigoroso por toda a vida. O marido e uma irmã foram treinados como cuidadores, aprendendo sobre alarmes do dispositivo e técnicas de assepsia para evitar infecções. “É muito gratificante saber que ela conseguiu toda essa ajuda. Era a única expectativa que a gente tinha para ela continuar viva”, disse a irmã Natally Banach.

A cirurgia foi custeada pelo Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (Proadi-SUS), que permite que hospitais filantrópicos revertam isenções fiscais em serviços para a rede pública. A Sesa custeou a logística de TFD e permanecerá custeando o acompanhamento clínico por toda a vida.