| Foto: Gervásio Baptista/Agência Brasil |
| Ministra Nilcéa Freire anunciou ontem que o serviço de atendimento passará a ser 24 horas. |
O Paraná foi o sétimo estado no número de ligações feitas à Central de Atendimento à Mulher, que atende casos de violência contra a mulher em todo o País através do 180. As paranaenses acionaram a linha 711 vezes, contribuindo para o traçado do perfil das mulheres vitimizadas. Lançado experimentalmente no dia 25 de novembro do ano passado, com atendimento das 7h às 18h40, o serviço passou a atender, desde ontem, durante 24 horas por dia. Agora são 20 pontos de atendimento, aumentando de 8 para 59 o número de atendentes.
A ampliação do atendimento deveu-se à demanda experimentada no período de quatro meses. Em todo o Brasil, foram 17.991 ligações, com a maioria absoluta proveniente da região Sudeste, responsável por 43,12% dos atendimentos.
Os tipos de informações solicitadas são variáveis e, segundo a assessoria de imprensa da Secretaria Especial de Política para as Mulheres, boa parte desconhece que, de fato, é vítima de um crime. Cerca de 39% das usuárias ligaram procurando informações gerais sobre legislação, tipos de denúncias que podem ser feitas ou serviços de atendimento. Uma boa parcela, 38,4%, ligou solicitando informações regionalizadas, buscando endereços e telefones de instituições que acolhem a mulher em situação de violência, como delegacias da Mulher, casas abrigos, defensorias da Mulher e conselhos dos Direitos da Mulher. Apesar de não manter contato direto com essas entidades, a central tem um banco de dados completo, com endereços de atendimento às mulheres de todo o Brasil. Uma vez solicitado, a atendente passa o endereço ou telefone dos locais às vítimas.
"A central tem sido importante para orientar as mulheres que não sabem a quem recorrer no caso da violência. Não temos como saber quantas mulheres que vieram à delegacia depois de ligarem para o 180, mas reconhecemos a sua importância", diz a delegada Darli Rafael, da Delegacia da Mulher, em Curitiba.
Além de orientar as mulheres sobre os seus direitos e indicar entidades que prestam atendimento especial a elas nas localidades em que vivem, a delegada destaca a importância do serviço no traçado de estatíticas da violência contra a mulher. "Há muitos dados que são divulgados sem base documentada, que não são fontes seguras. Com o registro exato das informações das mulheres que procuram o 180, com o tempo certamente teremos um banco de dados", diz. Com os números dos tipos de violência cometidos em cada região ou estado, Darli acredita numa maior eficiência na criação das políticas públicas do governo federal para o comabate à violência contra a mulher. "Cada região do Estado precisa de um tipo de ação diferente, que poderá ser direcionada com o mapeamento."
Na análise das mulheres atendidas nos primeiros meses, já foi possível saber que a maioria corresponde à faixa etária de 20 a 29 anos e tem apenas o ensino fundamental. Apenas 7% das mulheres atendidas têm formação superior e 25% não informaram a escolaridade. "O que a gente pode depreender do perfil da mulher que tem usado a central é que justamente essa faixa de mulheres menos instruídas, mais jovens, de menor poder aquisitivo, são justamente aquelas que precisam de mais orientação, porque não têm onde buscar essa orientação a não ser através do poder público", avaliou a ministra da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, Nilcéa Freire, que divulgou ontem os dados.