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Paraná: abrigo para mais de 20 etinas

  • Por Rosângela Oliveira


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Moinho da Castrolanda, em Carambeí.

Quando se fala no desenvolvimento do Paraná é impossível não fazer uma associação com os imigrantes. Conhecido como "a terra de todas as gentes", o Estado abriga no seu território representantes de mais de vinte etnias. A grande maioria veio para cá com a esperança de um recomeço, e ao encontrar um solo rico, acabau ajudando a transformar o Paraná em uma das economias mais representativas do Brasil.

Em praticamente todo o Estado, é possível encontrar a influência marcante dos imigrantes, presente em setores como a agricultura, culinária, cultura e arquitetura. No período entre 1820 a 1930 o número de imigrantes desembarcando no País foi muito representativo. Estimativas indicam que foram 4,5 milhões de pessoas. Destes, 2,3 milhões entraram no País pelo Estado de São Paulo em navios de passageiros – muitos dos quais de terceira classe -, pelo Porto de Santos. O restante se dividiu por diversos estados. No Paraná se estabeleceram mais de 20 mil imigrantes.

Os números mais recentes sobre imigrantes no Paraná mostram claramente que esse processo se inverteu, porém ainda é grande o número de estrangeiros morando no Estado. Dados do censo de 2000 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que o maior número de estrangeiros residentes aqui são paraguaios (10.622), seguido de japoneses (7.994), portugueses (6.036) e libaneses (3.368).

Contribuição

De acordo com o professor do Departamento de História da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Sérgio Odilon Nadalin, muitos desses povos se constituíram em grupos ou colônias e tiveram uma influência cultural muito grande. "Isso é bem diferente das imigrações recentes", comenta. Segundo ele, imigrantes como os ucranianos, italianos, portugueses e poloneses fecharam um ciclo na imigração, resultado de uma difícil situação econômica e social da Europa.

Já a partir do século XX, a vinda de pessoas de outros países para o Brasil teve uma característica mais capitalista. Um dos exemplos são os holandeses. Os primeiros representantes dessa etnia vieram nos primeiros anos do pós-guerra, fugindo de um cenário de incertezas e falta de terras. Parte dessa caracterização também serve aos menonitas, que são imigrantes alemães que viviam na Rússia, e no período entre as duas guerras mundiais foram perseguidos pela sua religião e tiveram que se abrigar em outros países.

Para o professor de História, a participação dos imigrantes no Estado foi principalmente demográfica. "Se olharmos o biotipo do paranaense, ele é bastante característico, assim como o próprio comportamento, que tem a influência desses povos", observa. Do ponto de vista cultural, Nadalin diz que as tradições são muitos evidentes, assim como os rituais religiosos e a culinária. Um desses exemplos é o Natal. "Muito provavelmente a tradição de comemorar o Natal que conhecemos é européia, e que recebeu adereços, como o pinheirinho e os contos, com os imigrantes", cita.

Holandeses, potência na agropecuária

Nos primeiros anos pós-guerra, a falta de terras na Europa e o cenário de incertezas foram os principais motivos que levaram um grupo de famílias de holandeses a se aventurar em terras estrangeiras. As boas notícias vindas de outros imigrantes que já estavam no Brasil – mais precisamente em Carambeí – foram decisivas para um grupo de famílias se aventurar por três semanas em um navio até chegar em terra firme e se estabelecer na região de Castro, onde fundaram em 1951 a colônia de Castrolanda – união do nome do município com o país de origem.

Ao contrário de outros imigrantes, os holandeses se organizaram ainda no exterior, e quando chegaram no Brasil para ocupar os cinco mil hectares que adquiriram do governo brasileiro, já tinham a delimitação das terras. "Foram muitas reuniões que precederam a vinda", conta Hillechien Wolters, de 88 anos, que é uma das imigrantes que veio com as primeiras famílias holandesas. Ela ressalta que isso foi importante para as famílias se conhecerem e unirem forças na perseverança do projeto.

As famílias trouxeram da Holanda toda mudança, incluindo o gado, tratores, implementos e equipamentos para uma indústria de laticínios. Também vieram alguns profissionais especializados, como contador, padeiro e técnicos agrícolas. O secretário da Associação Cultural Brasil – Holanda, Johan Scheffer, acrescenta que o País foi escolhido pelos imigrantes por ser o único que permitia trazer bens de capital. "Aliado a isso, aqui existia uma grande quantidade de terras", comenta, acrescentando que hoje não é possível calcular a quantidade de áreas que foram adquiridas pelos imigrantes.

Tradições

Os holandeses fundaram em 1954 a Cooperativa Central de Laticínios do Paraná – que carregava a marca de laticínios Batavo, produzidos em Carambeí – que deu um impulso à produção pecuária e leiteira da região. Outras famílias de holandeses se estabeleceram em Arapoti, e anos mais tarde eles constituíram a Fundação ABC, instituição de pesquisa mantida pela Castrolanda juntamente com as cooperativas Batavo e Arapoti, cujas atividades são voltadas para o desenvolvimento tecnológico.

Apesar de todo o desenvolvimento e sucesso que tiveram na região, os descendentes sentem a queda de interesse pela cultura holandesa por parte dos mais jovens. Para tentar manter essas tradições, em 1991 foi organizado na colônia o Museu dos Imigrantes. Ttyntje Salomons é uma das cinco mulheres responsáveis pela casa. Ela mostra com satisfação e lembranças cada cômodo da casa montada com peças vindas da Holanda e que retratam o cotidiano no país.

Para marcar os 50 anos da imigração holandesa, em 2001 a colônia construiu o Memorial da Imigração Holandesa. O moinho, que possui 37 metros de altura, sete andares e cujas asas têm uma envergadura de 26 metros, foi projetado por um engenheiro vindo da Holanda. O monumento – considerado um dos maiores moinhos construídos fora da Holanda – foi erguido sem a utilização de nenhum prego, apenas com a madeira encaixada. (RO)

Primeiros imigrantes chegaram da Europa

Os levantamentos históricos sobre a colonização no Paraná indicam que os primeiros imigrantes que chegaram ao Estado vieram de Portugal, Espanha e Alemanha. A fixação deles em terras paranaenses foi bastante significativa e tem participação forte até hoje.

O município de Marechal Cândido Rondon recebeu um grande número de imigrantes alemães, e por isso é considerada "a cidade mais alemã" do Paraná. A influência do povo está refletida nas fachadas das casas, na culinária e no rosto de seus habitantes. Eles também têm fortes influências em Rio Negro, Rolândia e Cambé. De acordo com dados da pesquisadora Glacy Weber Ruiz, os poloneses se fixaram mais nas regiões de Curitiba, Araucária e Irati; e os italianos, em Curitiba – principalmente no bairro de Santa Felicidade – e em Colombo, na região metropolitana.

Já os imigrantes japoneses fixaram suas colônias nas regiões de Assaí, Uraí, Bandeirantes e Londrina, onde se destacaram com a produção de horticultura. Ponta Grossa, Cruz Machado e Prudentópolis foram os municípios escolhidos pelos ucranianos; e Castro, Ponta Grossa e Guarapuava pelos neerlandeses, que tiveram grande desenvolvimento atuando na área de laticínios.

Segundo a pesquisadora, muitas colônias de imigrantes deram origem às cidades. Um desses exemplos é Castro, colonizada por alemães, holandeses, ucranianos, poloneses e japoneses. "Apesar da diversidade nas etnias, existe um respeito grande à cultura um do outro", ressalta. Glacy destaca que as representações desses povos podem ser vistas em locais como a "Casa da Cultura", "Casa da Praça", "Museu do Tropeiro", e no aspecto arquitetônico e paisagístico da cidade, onde tudo remete à Europa. "Esses povos, com culturas tão diferentes, e em convívio harmonioso, com suas colônias em regime de pequenas propriedades fizeram a grandeza desse, Estado", comenta. (RO)

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