Cornelsen estava de olho no trem quando isto não era moda, em 1985. Ao mesmo tempo da proposta do Expresso Metropolitano de Curitiba ele também apresentou um projeto de transporte popular regional ligando os 125 quilômetros entre Londrina e Maringá, integrando mais outras nove cidades situadas na rota do ramal ferroviário que há 35 anos é usado apenas por trens de carga. Vez ou outra alguém ainda fala neste projeto como fator de estímulo ao desenvolvimento do núcleo central do Norte do Paraná.  

Ao relembrar agora o seu projeto de 1985 e defender a adoção de um sistema de transporte ferroviário de massa para a capital paranaense, Cornelsen entra em sintonia com a nova moda no Brasil, que é a retomada do interesse pelo transporte ferroviário, depois de 50 anos de abandono – quando o então presidente Juscelino Kubistchek apostou todas as fichas na industrialização brasileira ancorada pelas montadoras de automóveis, e por esta razão necessitava de estradas e ruas para os seus carros. O problema atual é que não há mais espaço nas cidades e tampouco nas estradas para tantos carros – basta conferir qualquer saída de moradores das metrópoles brasileiras em direção às praias e ao interior. Só os trens podem ajudar a solucionar o caos que os carros criaram.