Valquir Aureliano / O Estado
Fachada do tradicional prédio da
Alameda Doutor Murici, agora desocupado.

Um dos estabelecimentos comerciais mais antigos e tradicionais de Curitiba fechou as portas no final do mês passado. A Papelaria Requião, com matriz na Alameda Dr. Muricy, chegou a possuir treze filiais na cidade e funcionou também como atacado, editora e distribuidora. Depois de mais de oitenta anos de atividade, os donos optaram por acabar com a empresa. Os motivos foram a concorrência no segmento e o desinteresse dos membros da família em continuar com o negócio.

Segundo Aníbal Requião, um dos antigos proprietários da papelaria, é normal que a terceira geração de uma empresa familiar não queira continuar com o trabalho realizado pelos pais e avós: “A empresa de família tende a acabar. Cada um procurou sua profissão e está exercendo”, afirma.

O desmanche da empresa começou quando as filiais foram divididas entre os dezoito herdeiros, filhos dos três administradores da papelaria. “Eles começaram a tocar, mas por pouco tempo. Ficamos somente com a matriz, no prédio que foi adquirido em 1942 pelos meus pais”, conta Aníbal. “Nós (os três irmãos administradores do negócio) também estamos cansados. Um já ficou doente. Em comum acordo, decidimos fechar.”

Ele aponta a concorrência como outra razão para o fim do negócio. De acordo com Aníbal, trinta anos atrás havia apenas quatro lojas. Atualmente, são mais de 600. “A influência dos supermercados e de lojas de informática, que também vendem artigos de papelaria, foi grande”, completa.

História

O negócio começou em 1900, com a abertura da Livraria Econômica na Rua XV de Novembro. Vinte anos depois, o estabelecimento passou a levar o nome da família. O tradicional prédio na Dr. Muricy, no centro de Curitiba, abrigou a Papelaria Requião a partir de 1942. A administração da empresa passou para a segunda geração em 1950.

Pela influência do patriarca Annibal (falecido em 1966) e pelo serviço oferecido, o local era encontro de intelectuais, escritores, políticos e pessoas influentes da sociedade curitibana. “Por ali passaram várias gerações de famílias importantes”, comenta Requião. A ligação do pai com o futebol também proporcionava encontros com muita conversa sobre o esporte.

Sem rumo

Os antigos proprietários não sabem o que vão fazer daqui para frente, depois de tantas memórias e muito trabalho. “Perdi o meu rumo. Somente eu fiquei 49 anos todos os dias na papelaria. Foi uma história muito bonita, mas tudo tem seu fim”, acredita Requião. A família já desocupou o prédio no centro de Curitiba e está esperando o fechamento definitivo da empresa.