Foto: Aliocha Maurício

Passeata seguiu da Câmara de Vereadores até o paço municipal.

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Com nariz de palhaço, faixas de protesto e um bolo de limão para entregar para o prefeito Olizandro Ferreira, professores e pais de alunos da rede municipal de Araucária, Região Metropolitana de Curitiba, fizeram uma caminhada ontem à tarde para reivindicar a aprovação do Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos (PCCV) da categoria e melhorias na infra-estrutura das escolas. A passeata seguiu da Câmara de Vereadores da cidade até o paço municipal.  

Os manifestantes afirmaram que os recursos do Programa Nossa Escola, que prevêem o repasse de R$ 1,74 por aluno para realização de pequenos reparos nas escolas, foi extinguido no ano passado. Eles reclamaram também que existem escolas no município onde não há carteiras e papel para impressora além de muitas goteiras. Caso não aja uma posição oficial da Prefeitura, os professores ameaçam entrar em greve daqui a dez dias.

Marilda Padilha é mãe de uma criança de sete anos que estuda na escola Elírio Alves Pinto. Ela conta que já faz um ano que os professores solicitaram reformas no prédio do colégio, mas até agora nada foi feito. ?A situação está tão crítica que a sala de aula pode até desabar?, afirmou. A pedagoga Maria José Dietrich reclamou da falta do recurso do programa Nossa Escola. ?As escolas estão endividadas e a Prefeitura ainda corta esse dinheiro. É um absurdo?, disse.

O presidente do Sindicato dos Servidores do Magistério Municipal de Araucária (Sismmar), Wilson Ubiratan, compartilha das reclamações das colegas de trabalho. Porém, ele afirma que o mais urgente para a categoria é a aprovação do PCCV. ?Estamos negociando com o prefeito e a secretária de educação, mas eles dizem que não têm dinheiro para aprovar o plano?, afirmou. Ele explicou que o PCCV melhoraria as condições de trabalho dos professores da rede municipal de Araucária. ?Temos professores com mestrado e doutorado que não ganham o que deveriam ganhar?, reclamou.

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O secretário de Planejamento de Araucária, João Caetano Saliba de Oliveira, explicou que a aprovação do novo PCCV – segundo ele, havia outro PCCV esperando aprovação na Câmara Municipal, mas os professores não o aceitaram – é inviável para o município por questões financeiras. Ele disse que o índice da folha de pagamento está no limite. ?De acordo com a proposta do magistério, nós gastaríamos até 58% com a folha de pagamento, quando no ano passado estabelecemos que o limite seria 53,97%. Isso é impossível. Essa greve não tem sentido, pois os nossos professores são os que melhor ganham no Estado?, afirmou.

A secretária de Educação de Araucária, Ivana Chemello Opis, informou que só poderá implementar o PCCV do magistério quando esse índice baixar. ?Não podemos descumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal?, afirmou. A secretária disse ainda que não há falta de material nas escolas e que há carência apenas de sete professores de Artes e Educação Física. Com relação à estrutura física dos colégios, Ivana reconheceu a situação e informou que quatro deles deverão ser reconstruídos ainda neste ano. Já os recursos do Programa Nossa Escola tiveram que ser suspensos, segundo ela, por determinação do Tribunal de Contas. Cerca de 1,5 mil professores trabalham em 68 unidades educacionais de Araucária (41 escolas e 26 Centros Municipais de Educação) que atendem 22 mil alunos. Ainda na tarde de ontem, os professores protocolaram um documento com as reivindicações na Prefeitura. 

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