Em 2003, segundo o Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergências (Siate), 1.376 crianças e adolescentes de até 14 anos de idade foram vítimas de acidentes de trânsito em Curitiba e municípios da Região Metropolitana. Com a intenção de diminuir essa estatística, a organização não-governamental Safe Kids Brazil (Criança Segura) promoveu ontem, no restaurante Madalosso, em Santa Felicidade, uma série de atividades de conscientização.

Crianças que foram almoçar no restaurante ou simplesmente passaram em frente ao local puderam participar de brincadeiras educativas referentes ao trânsito, se divertir com palhaços, desenhar e participar de uma sessão de maquiagem. Já os pais receberam orientações sobre o transporte seguro de crianças dentro dos carros e observaram a instalação de cadeirinhas de segurança.

Segundo a coordenadora regional da ONG, Alessandra Françóia, o uso correto de uma cadeira de segurança no carro aumenta em até 71% as chances de uma criança sobreviver a um acidente. Ainda assim, 90% das cadeirinhas existentes acabam sendo mal instaladas. “O modelo da cadeira deve estar de acordo com a idade e com o peso da criança”, afirma.

Alessandra explica que, até os quatro anos ou até atingir dezoito quilos, a criança deve usar um tipo de cadeirinha. Depois disso – até os dez anos ou atingir 36 quilos – deve utilizar assentos de elevação. “Geralmente os pais deixam de usar a cadeirinha quando a criança já é capaz de sentar sozinha. Isso é um erro”, comenta. “Antes de atingir 36 quilos, a criança não tem estrutura para usar cinto de segurança. Esse, em casos de acidentes, pode vir a esmagar seus órgãos internos.”

Soltas

Pior do que não usar cadeirinhas e assentos de elevação é, de acordo com Alessandra, transportar a criança no colo ou solta no carro, sem qualquer dispositivo de segurança. Apesar de todas as campanhas de conscientização existentes, ainda é comum ver crianças no banco da frente do automóvel, entre os bancos ou soltas brincando nos bancos traseiros. “Os pais devem impor sua vontade sobre os filhos, obrigando-os a utilizar os dispositivos existentes. O uso da cadeirinha faz parte de um processo educativo”, finaliza.