Foto: Lucimar do Carmo

O pai, sem condições financeiras, deixou o filho no orfanato.

O dia 30 de março de 2007 vai ficar na memória de Marcos José dos Santos Costa e José Dias da Costa. Filho e pai, respectivamente, eles ficaram 42 anos separados. Ontem, depois de uma espera angustiante, aconteceu o reencontro, em Curitiba. A partir de agora, os dois vão retomar uma vida em família, que foi interrompida quando Marcos tinha dois anos de idade.  

A procura começou há um ano e meio, quando José resolveu procurar o serviço ?Procuro Você?, da Secretaria Especial de Corregedoria e Ouvidoria Geral, do governo do Estado. Durante esse tempo, a equipe investigou toda a história de Marcos e o encontrou nas ruas do Jardim Gabineto, no bairro Campo Comprido.

Todo o dilema começou em 1965. O pai, sem condições financeiras de criar seus filhos, deixou Marcos e o irmão Isaías em um orfanato de Curitiba. Dois anos depois, José voltou para pegar as crianças, pois já possuía uma condição mais favorável. No entanto, os filhos haviam sido transferidos para outras instituições de assistência a menores no interior do Estado.

José não foi informado sobre o paradeiro dos filhos e acabou perdendo totalmente o contato. Quarenta anos depois, o pai resolveu procurar o serviço. Houve muitas dificuldades nas investigações, pois não existiam muitos documentos que comprovassem a trajetória de Marcos. Durante os trabalhos, foi descoberto que o irmão já havia morrido. Mas a equipe encontrou Marcos. ?Foi um trabalho muito árduo, pois não havia praticamente nenhum registro formal sobre Marcos?, relata o delegado José Castilho Neto, assessor da Secretaria Especial de Corregedoria e Ouvidoria Geral. Ele garante, com 100% de certeza, que Marcos é filho de José Dias da Costa.

?Estou ansioso e feliz em voltar a ter família, a ter uma casa. Sofri muito na rua, fazendo bicos para sobreviver?, conta Marcos. ?Inicialmente, tentei saber se os meus filhos haviam votado, o que seria um registro, mas eles não fizeram isso. Achei que eles estavam no exterior, mas tinha esperança de encontrá-los. A gente comete muitos erros quando somos jovens e só vamos ter consciência depois do que fizemos. Agora, temos uma nova vida pela frente?, comenta José.

Depois do reencontro, que demorou 42 anos para acontecer, os dois seguiram para casa com o restante da família.