No próximo dia 19 de abril, a região central de Curitiba deverá ser palco de uma manifestação religiosa inédita: a Procissão de Ogum. Pais-de-santo e adeptos das religiões afro-brasileiras deverão participar do evento que está sendo organizado por Ademir Antônio dos Santos Neves, o pai Ademir de Oxum, de 43 anos, que é delegado nacional do Superior Órgão Internacional de Umbanda e dos Cultos Afros. Dono de um centro de umbanda no bairro da Fazendinha, ele está morando há pouco mais de um ano em Curitiba e tem uma missão: desmistificar a umbanda e denunciar os “picaretas” que dela se aproveitam.

Natural de Caxias do Sul, Ademir garante que pelo menos 70% da população gaúcha é adepta do umbandismo. “Lá a religião é levada muito a sério”, afirma. “Infelizmente, no Paraná não é assim: tem muita gente que não é e nunca foi pai-de-santo que se aproveita do nome para enganar os outros. Existem picaretas, sim, e é preciso tomar cuidado com eles!”

De acordo com Ademir, para que um pai-de-santo seja formado dentro da religião são precisos 21 anos de estudos e trabalhos espirituais. “A cada sete anos ele passa de um nível para outro”, explica. “Só depois de 21 anos é que pode ser considerado um balalorixá.”

Para que as pessoas que procuram centros de umbanda não sejam enganadas, Ademir orienta que elas perguntem a respeito da formação do pai ou mãe de santo e se o centro está filiado a entidades sérias. “Nossos trabalhos no centro são nossas missas e a nossa bíblia é a natureza”, compara. “Acreditamos na reencarnação e fazemos troca de energia ? tudo com muita seriedade.” Os trabalhos realizados para pessoas que procuram orientações nestes locais não podem ser cobrados, muito embora os adeptos tenham o costume de levar oferendas para os santos.

Búzios

Apesar do jogar búzios (conchas do mar) para quem o procura (R$ 50,00 a consulta), Ademir diz não acreditar na leitura das cartas de baralhos. “O baralho não diz nada, é tudo enganação”, acusa. “Já os búzios, para serem jogados por um balalorixá, exigem 14 anos de estudos e concentração. Só pessoas muito preparadas podem fazê-lo.”

Quanto a cobrar pelas consultas, ele diz que há um amparo legal para isso e que a pessoa que paga tem direito a exigir recibo. “É como um médico que é procurado, faz a consulta e cobra por isso”, argumenta.

Por fim Ademir lembra que “umbanda” é uma palavra sagrada, oriunda do sânscrito, e que quer dizer “criação de Deus”. As pessoas não devem ter medo ou receio de umbandistas mas devem se afastar dos charlatões e de quem usa a religião com fins lucrativos.