A falta de medicamentos ainda não foi resolvida pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). Sem remédios nem explicações, os pacientes temem pelas próprias vidas. O Ministério Público do Paraná já se mobiliza em busca de uma solução. Porém, diante do ?pânico?, a única resposta fornecida pelo Estado é que ?os medicamentos estão sendo adquiridos?. Ou seja, a mesma dada nas semanas anteriores.

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Claudete Stopa é mais uma vítima da situação. Com um tipo raro de câncer, há três meses ela iniciou um tratamento com o medicamento Herceptest. O tratamento ia bem, mas foi interrompido porque o Estado não forneceu o remédio em abril. ?Era para eu receber entre os dias 8 e 18 de abril, mas não tinha. Eles disseram que era porque o governo mudou alguma coisa na distribuição. Agora está chegando outro mês e o remédio ainda falta?, lamenta a paciente.

Ela afirma temer as conseqüências da interrupção. ?Eu tinha dez tumores no fígado. Com o tratamento, foi reduzido a apenas dois tumores. Ficar sem o remédio pode ser fatal para mim. O que o Estado está fazendo é uma brincadeira de mau gosto com a vida das pessoas?, completa.

Segundo a promotora Cristiane Podgruski, de Paranaguá, em janeiro, Claudete começou a receber o medicamento por determinação judicial. Uma ação civil pública foi protocolada pela promotora, que conseguiu liminar para que o remédio fosse entregue antes de o processo ser concluído, por ser emergência. ?Ela nos informou a falta do medicamento. Entramos em contato novamente com o juízo para que fosse aplicada a multa de R$ 5 mil por dia ao Estado. A partir de segunda a pena pode ser executada?, afirma.

Sesa

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Na Secretaria de Saúde nenhum responsável fala sobre a situação. Em nota encaminhada, eles apenas pontuam que ?a posição com relação à questão dos medicamentos é pública e está expressa na Agência Estadual de Notícia por meio das últimas reportagens e reitera que conforme as indústrias farmacêuticas entregam os medicamentos, imediatamente são encaminhados?.

A informação não se sustenta. Além de as matérias não serem atuais, outros dois pacientes que, há quase duas semanas, reclamavam da falta de medicamentos ainda não os receberam. Maria Lúcia Naumann não apenas aguarda o Prograf, para a filha Liliana, como reclama que dessa vez o Imuran começou a faltar. Já Mara Lúcia de Lima ainda aguarda o medicamento a base de Azatiprina, para a doença de Chron. 

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