A paciente de 28 anos que estava internada com dengue hemorrágica em Maringá teve alta ontem. Ela começou a sentir os sintomas no dia 8 e na segunda-feira procurou o Hospital Municipal, onde foi internada, sendo posteriormente transferida para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa. Duas pessoas perderam a vida este ano devido à doença no Paraná, ambas moradoras na região norte.  

O médico que atendeu as pacientes, Florivaldo Martelozzo, confirmou o quadro estável das duas. Segundo ele, a outra paciente que também estava com dengue no hospital deve ter alta na segunda-feira. ?As duas passam bem?, disse.

A situação da doença no Paraná continua preocupando. Em 2003, o Estado bateu o recorde com 9.438 casos. Este ano o problema pode voltar a se repetir: até o último dia 28 já eram registrados 3.203 casos confirmados, sendo 2.884 autóctones e 299 importados. As duas cidades que apresentam o maior número de doentes são Ubiratã, no oeste, com 623 pacientes, e Maringá, no noroeste do Estado, com 375.

As duas pessoas que morreram até agora são da região norte. Embora tenha morrido em Londrina, as autoridades locais afirmam que uma delas deve ter contraído a patologia em Maringá, onde morava anteriormente. O outro paciente era de Doutor Camargo. Ele apresentava um quadro de cardiopatia e teve seu estado de saúde agravado pela dengue clássica, o caso mais simples da doença, como O Estado adiantou na última quinta-feira.

A dengue hemorrágica é o estágio mais grave da doença. Ele pode ser desenvolvido em pessoas que já tiveram a patologia uma vez. Por isso, o secretário municipal de Saúde de Maringá, Antônio Carlos Nardi, diz que existe a preocupação de que o número de casos de dengue hemorrágica aumente, pois a quantidade de gente sensibilizada pelo vírus da doença é cada vez maior.

Na próxima terça-feira, ele vai até a Câmara Municipal para falar sobre as ações que vêm sendo desenvolvidas na cidade de combate à dengue. São 130 agentes trabalhando exclusivamente com esta finalidade, além de veículos fumacê. Além disso, os 25 mil alunos da rede municipal de ensino foram sensibilizados para o problema e as demais secretarias também estão realizando ações.

Mas o secretário destaca que o problema só vai ser resolvido na cidade se a população colaborar.

Ontem mesmo, 30 agentes ambientais e atiradores do Tiro de Guerra percorreram alguns bairros, de onde precisaram tirar vasos das casas por encontrarem focos do mosquito. Esta não foi a primeira vez que a região foi visitada para destruição de focos. Anteriormente, a Secretaria de Saúde chegou a fornecer areia para ser colocada nos pratinhos dos vasos.

Ações prosseguem em Apucarana

Em Apucarana, também região norte do Estado, parece que a população entendeu a gravidade da doença e a maioria está colaborando com as atividades de prevenção. Até hoje, a cidade registrou apenas um caso autóctone de dengue, em 2003.

Este ano foram confirmados apenas seis casos, mas todos importados. No entanto, o coordenador do Programa Municipal de Combate à Dengue, o médico veterinário Flávio Boiça, diz que as autoridades de saúde continuam em alerta porque em 2006 foram registrados 24 casos suspeitos. Em 2007, já são 42.

Segundo Boiça, apesar do número de registros ainda ser pequeno, a cidade também corre o risco de ter uma epidemia. Ele pede que a população continue colaborando.

Boiça também afirma que em alguns bairros os agentes vêm encontrando dificuldade para ter acesso às casas. ?Têm locais onde os trabalhos precisam ser mais intensivos e temos que visitar a moradia mais de uma vez na semana porque a população não colabora. Mas o morador não entende e muitas vezes barra o trabalho da nossa equipe?, comenta. Além das visitas, a Prefeitura também usa periodicamente um larvicida e o fumacê.