As operadoras de saúde estão à beira de um colapso financeiro. A afirmação é do presidente da Associação Brasileira da Medicina de Grupo (Abramge) no Paraná e Santa Catarina, Joelson Samsonowski. Segundo ele, muitas operadoras desaparecerão a partir do momento em que a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) exigir das operadoras, em julho, o capital mínimo para continuarem funcionando – valor correspondente a cinco vezes o faturamento de cada operadora.

“Nossas perspectivas são ruins, péssimas”, afirma Samsonowski. Segundo ele, de 1998 para cá, a quantidade de operadoras reduziu de 5 mil para 1,3 mil em todo o País. “Se não mudar a política do governo, no sentido de que as operadoras possam ter mais autonomia, o que vai se observar é a migração progressiva de usuários de planos para o SUS (Sistema Único de Saúde)”, sentencia. Nos últimos quatro anos, lembra, cerca de 6 milhões de usuários abandonaram planos de saúde. Atualmente, há 35 milhões de brasileiros com planos, mas esse número já chegou a 47 milhões há quase dez anos. “O culpado de tudo isso é o próprio governo, que está imobilizado, não está gerando empregos e, portanto, a renda não aumenta.”

Outro ponto de reclamação é o índice de reajuste autorizado pela ANS. O último foi de 9,27%, enquanto o pleiteado pelas operadoras era de 15% a 20%. “Em cinco anos, tivemos reajuste de 42%, enquanto o Índice Geral de Preços Médios (IGPM) foi de 130%”, afirmou. Reajustes maiores, no entanto, fariam com que mais usuários abandonassem os planos. Nos últimos quatro anos, a inadimplência cresceu 20%.

Médicos

Sobre a polêmica com relação aos médicos – em alguns estados, houve a promessa de paralisação ao atendimento a usuários de planos, em protesto contra a falta de reajuste de honorários -, Samsonowski afirmou que a falta de reajuste não atinge apenas a categoria médica, mas funcionários públicos, entre outros. “Eles (médicos) querem a implantação de tabela hierarquizada de procedimentos médicos, cujo aumento vai girar em torno de 50%. É inviável fazer este reajuste hoje, na situação em que vivemos”, disse.

Sobre a afirmação de que as operadoras não abrem as planilhas de custos, Samsonowski negou. “As planilhas são de conhecimento público, estão na ANS. Além disso, somos obrigados por lei a publicar nosso balanço anualmente em jornais de grande circulação”, afirmou.