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Paraná

Operação contra trabalho escravo resgata 228 na Usina Central

Fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego emitiu 153 autos de infração

  • Por Helio Miguel

Deve terminar hoje a operação do Grupo Especial de Fiscalização Móvel para Erradicação do Trabalho Escravo e Degradante na Usina Central do Paraná S/A em Porecatu, na região norte do Estado.

Os fiscais já resgataram, desde o início das atividades no local, há nove dias, 228 trabalhadores em situação degradante. Parte deles trabalhava, segundo os auditores, exposta à contaminação por produtos químicos e sem equipamentos de proteção individual (EPIs).

Os empregados moravam em casas na vila operária da empresa, sem luz elétrica e banheiros. Alguns tinham jornada de trabalho de doze horas, sem direito a repouso.

Até ontem, já haviam sido expedidos 153 autos de infração contra a empresa, que tem cerca de 1,8 mil funcionários. Foi também pedida a rescisão indireta do contrato de trabalho dos 228 empregados.

Durante a tarde, os fiscais reuniram-se com diretores da Usina, mas o resultado da reunião não foi divulgado. A coordenadora da operação, Jackeline Corrijo, e o procurador do Trabalho Alberto de Oliveira Neto devem conceder, hoje, em Londrina, uma entrevista coletiva para esclarecer detalhes da operação. A diretoria da usina ainda não se manifestou sobre o assunto.

Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), os fiscais  apuraram que trabalhadores que atuavam na aplicação de agroquímicos estavam com a vida em risco por intoxicação aguda, já que não usavam EPIs.

Eles inclusive eram transportados até o local de trabalho no mesmo compartimento dos veículos onde eram levados os produtos químicos. Os empregados resgatados ainda eram obrigados a custear enxadas, limas e outros instrumentos de trabalho.

Alguns setores da usina foram interditados durante a ação, por não possuirem sanitários, água fresca nem produtos para higienização. Também foram interditados 39 ônibus, que não tinham autorização para transporte dos empregados.

De acordo com Corrijo, foram encontradas ferramentas na parte de dentro dos veículos, que poderiam atingir os trabalhadores em caso de colisão, freada brusca ou capotamento.

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