Representantes de organizações não-governamentais (ONGs) e da comunidade promovem hoje uma manifestação pacífica em Morretes. A proposta, diz a integrante do Instituto de Ecoturismo do Paraná, Daniela Meres Silva, é informar a população e os turistas sobre a interdição dos rios São João e Nhundiaquara, feita há mais de vinte dias pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP), e os possíveis problemas que podem surgir em decorrência da utilização da água. “Como não existe qualquer sinalização sobre a interdição dos rios, e nenhum representante de órgãos ambientais orientaram a população, nós iremos fazer esse trabalho”, falou Daniela.

O IAP proibiu por tempo indeterminado qualquer utilização da água dos rios São João e Nhundiaquara, em conseqüência do acidente com o trem da América Latina Logística (ALL) ocorrido no último dia 19 de julho. Trinta e cinco vagões transportando soja, farelo de milho e açúcar, descarrilaram sobre a ponte do Rio São João, em Morretes. O IAP constatou que o material provocou a contaminação da água. Porém, o órgão não fez qualquer tipo de orientação aos moradores do entorno dos rios, bem como aos turistas que, nos últimos dias, aproveitaram a alta das temperaturas e procuraram Morretes para praticar “bóia-cross” no Nhundiaquara.

A estimativa é que quarenta famílias morem às margem dos rios São João e Nhundiaquara, e parte delas utiliza a água para práticas desportivas, banho ou irrigação de plantas. Segundo Daniela Meres Silva, como houve uma elevação nas temperaturas no Estado, muitos turistas descerem a Morretes para a prática de esportes, e coube aos donos de pousadas orientar essas pessoas a não entrar na água. “A nossa preocupação é que esse número de pessoas aumenta ainda mais durante o feriado”, disse.

O rio está morrendo

Segundo laudo do Instituto Ambiental do Paraná, a fermentação da carga orgânica derramada no rio durante o acidente teve impacto expressivo na qualidade da água. Isso provocou o desequilíbrio do meio aquático, com a proliferação de colônias de bactéria Sphaertilus natans e de vermes hirudíneos (sanguessuga) que habitam o leito dos rios e podem sugar o sangue de espécies vertebradas. De acordo com a análise, a presença das colônias de bactéria indica intensa contaminação orgânica, pois utiliza os resíduos de despejos orgânicos no seu metabolismo, podendo estar associados a organismos patogênicos. A ingestão ou contato primário com a água contaminada por esta bactéria pode causar infecções. “Além de orientar a população sobre a proibição da utilização da água, a mobilização também tem o objetivo de cobrar das autoridades uma solução para a recuperação do rio”, afirmou a representante da ong.

Segundo Daniela, desde o acidente no mês de julho, muito se falou da preservação da Ponte do Rio São João – que é um cartão postal do Paraná -, da recuperação da vegetação da Serra do Mar, mas pouco se falou sobre como despoluir o rio, que além de ter sua importância ambiental, é um dos principais pontos turísticos de Morretes.

A mobilização de hoje é aberta a todos os interessados. De acordo com Daniela, quem quiser participar basta comparecer usando uma peça de roupa branca, às 11h, na Ponte de Ferro, em Porto de Cima.